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domingo, 4 de fevereiro de 2018

Cara a cara com Rosa Magalhães: ‘O pré-julgamento de barracão é sempre falho’

Por Guilherme Ayupp


Em uma época em que quase nenhum segredo pode ser mantido na Cidade do Samba, em plena era das redes sociais, é comum saírem comentários analisando a qualidade dos barracões das escolas antes do desfile. Na série ‘Cara a cara’ do site CARNAVALESCO, a professora Rosa Magalhães conversa com nossa reportagem sobre o tema e afirma que já foi traída por um pré-julgamento antes de um desfile. Entre outros temas, fala da chegada à Portela, do volume de suas alegorias e conta que ‘Bumbum Paticumbum Prugurundum’ é seu mais importante trabalho.

– Qual o seu grande desfila em sua opinião?
Rosa Magalhães: “O desfile campeão pelo Império Serrano me marcou bastante, pois foi muito sofrido. O da Imperatriz de 1996, da Imperatriz, que acabamos não vencendo foi inesquecível também, pois rendeu até uma homenagem na Áustria onde eu dancei até valsa. Os que marcam geralmente são aqueles que a gente ganha, mas esses dois em especial eu sempre lembro”.

– E um desfile que você viu e gostaria de ter feito?
Rosa Magalhães: “Tenho vários. Ziriguidum 2001 e Tupinicópolis foram maravilhosos, o Fernando Pinto era fantástico. Eu vi esses dois desfiles e fiquei encantada. Tem um enredo do Arlindo Rodrigues que eu acho que ele inventou, ‘O Rei da Costa do Marfim visita Xica da Silva em Diamantina’. Era tudo branco e bege. Era belíssimo. A Beija-Flor do João sempre era um susto. O título da Viradouro em 1997 me ensinou que não devemos pré-julgar antes de ver na avenida. Aquele abre-alas todo preto eu achava feio e na avenida foi lindíssimo”.

– A nova geração da Escola de Belas Artes tem chegado com muito talento no carnaval. Qual a sua opinião sobre eles?
Rosa Magalhães: “Eu acho ótimo e estão estudando e se dedicando. O Milton Cunha agora é um comunicador, mas é pós-doutorado. Quanto mais você estudar, melhor. O Jorge Silveira me convidou para participar do desfile da São Clemente, mas eu infelizmente não vou ter como participar. Eu vejo com uma alegria muito grande a presença desses jovens artistas, o que prova a força das Belas Artes até hoje”.

– O termo ‘professora’ te agrada?
Rosa Magalhães: “Já me aposentei, dei aula a vida inteira. Dei aula no Fundão pela EBA, no Parque Lage e 15 anos na faculdade de arquitetura. No Senai. Um monte de gente me chama. Foi o Milton Cunha que começou com isso recentemente. Vejo como um carinho das pessoas comigo”.

– E a aposentadoria do carnaval? Você pensa nisso?
Rosa Magalhães: “Me chamaram para dar aula em um curso de pós-graduação. Pensar eu penso, mas a gente nunca sabe. Eu vivo cada ano, pois é sempre um mistério. Às vezes você tem escola, às vezes você não tem. Acho que o dia que eu não tiver mais aí eu paro”.

– Tamanho de carros. Esse assunto te incomoda?
Rosa Magalhães: “Isso é folclore. Aqui na Portela não podem reclamar. Essa questão começou na Imperatriz, pois antigamente os carros lá não eram mecanizados e aí tinham que ser menores. Acho muita coisa sobre alegorias. Vi uma vez nos Estados Unidos um carro todo mecanizado. Um homem só fazia tudo. Coisas muito tecnológicas têm os seus senões. Na Olimpíada aquela chaminé que saiu o ministro molhou os componente e o negócio não saía de cena. Foi preciso empurrar. Para o mundo inteiro aquilo não funcionou. Eu não sei qual a fórmula correta”.

– Leitura de fantasias e alegorias ou apuro artístico e de acabamento? O que é mais importante?
Rosa Magalhães: “Eu acho que tem de ser bem feita, dependendo do foco do enredo. Se for de época ou abstrato. Eu só acho horrível quando descreve. Legenda eu sou totalmente contra. Não precisa, as pessoas entendem”.

– Portela foi campeã do carnaval. Isso tira o peso dos seus ombros?
Rosa Magalhães: “Posso ser campeã como posso não ser. Não é uma pessoa só que vence, é um grupo grande. Eu acho que esse carnaval vai ser difícil de saber quem leva. Têm algumas escolas em boas condições, outras menos. Mas se der mole a gente pega de novo”.


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