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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

‘A Portela é um marco na minha carreira’, diz Renato Lage

Por Guilherme Ayupp
A Portela teve nos últimos carnavais dois dos principais carnavalescos da história dos desfiles. Alexandre Louzada, em 2014 e 2015, Paulo Barros, em 2016 e 2017, e Rosa Magalhães, em 2018 e 2019. Com Renato Lage e Márcia Lage, contratados para 2020, a escola segue na linha de grandes nomes da folia desenvolvendo seus enredos. Renato Lage falou ao site CARNAVALESCO que sua chegada na maior campeã do carnaval é um marco em sua carreira. Lage garante uma águia inesquecível e fala do enredo ‘Guajupiá, Terra sem males’.
“É interessante pois até então a gente tinha feito temáticas indígenas poucas vezes e nenhuma por completo. Será a primeira vez assim na íntegra. É um enredo que nos dá muita referência boa. Acredito em um carnaval de uma visão indígena diferenciada, sem aquela que estamos acostumados ao nosso estilo, da nossa maneira. Os portelenses só querem saber da águia, brincam que não interessa o resto. A águia vai vir arrebentando, pode apostar. As coisas estão conspirando à favor, adorei a escola fechar o desfile de domingo, 50 anos depois do lendário ‘Lendas e Mistérios da Amazônia’. É uma escola que tem uma pegada forte de paixão. É um marco na minha carreira. Fui muito bem recebido e tratado com respeito”, diz.
A temática indígena de fato não se faz presenta na trajetória de Renato Lage no carnaval. O mais marcante desfile de sua autoria que teve pinceladas dessa estética foi na Mocidade em 1999, com ‘Villa-Lobos e a apoteose brasileira’. O carnavalesco conta que o enredo aguardou até o último instante uma proposta de patrocínio.
“A escola aguardava patrocínios e essa questão da Liesa atrasou e nos deixou ressabiados. Graças a Deus tudo entrou nos eixos. O enredo é autoral, mas eu penso que todos são autorais. Os especialistas catedráticos é que entram nessa de autoral, patrocinado. Estamos acreditando na Portela e ela e em nós”
Márcia Lage, que no dia da entrega da sinopse na Portelinha, ostentava um cocar usado no desfile de Villa-Lobos, pediu aos compositores liberdade na criação, fugindo de receitas prontas para criar as obras. Márcia esmiúça a temática do enredo da Portela à nossa reportagem.
“Queremos que os compositores criem, que fujam da receita de bolo. Esse enredo é solar, combina com o raiar do dia. Vai casar muito com nossa ordem de desfile. A visão primal de um Rio virgem, mas uma visão indígena. O Guajupiá é o paraíso deles. Tentamos trazer esse olhar perdido, de valorizar as belezas naturais e dessa forma voltar a criar um elo com essa cultura. Esquecemos que somos oriundos dos índios. Para mim pessoalmente ter reconhecido e me encontrado com essa gênese me trouxe uma força muito boa. É um papel nosso, quase uma missão, a reintegração do povo indígena. Os proprietários disso aqui não devem ser tão ignorados como são”.

Portela abre inscrições para aulas de capoeira

A Portela vai oferecer aulas gratuitas de capoeira para crianças (a partir de 5 anos), adolescentes e adultos. As inscrições serão recebidas neste sábado (17), das 10h às 11h, quando também acontecerá a primeira aula do projeto, que inicialmente vai receber 20 alunos.
Coordenada pelo Departamento de Cidadania, a atividade será realizada todos os sábados, sempre de 10h às 11h, na quadra, em Madureira. O responsável por ministrar as aulas será Mestre Metralha. 
Para se inscrever, é preciso estar matriculado em alguma instituição de ensino, no caso de crianças e adolescentes, e apto a fazer atividade física. Além disso, é preciso levar cópia de qualquer documento de identificação, uma foto 3x4, atestado médico e histórico escolar ou declaração de matrícula da escola do presente ano letivo. Será necessária, ainda, a presença de um responsável legal do interessado no ato da inscrição (se for menor de idade).
As aulas de capoeira representam uma nova ampliação nos projetos sociais da escola. Atualmente a Portela oferece atendimento odontológico, danças, jiu-jítsu, pré-vestibular comunitário e rodas de conversa sobre saúde da mulher. 

Serviço:
Aulas de capoeira na Portela
Inscrições e primeira aula: sábado, dia 17 de agosto
Horário: de 10h às 11h
Local: Quadra da Portela
Endereço: Rua Clara Nunes 81 Madureira
OBS: Procurar a sala do Departamento de Cidadania
Público-alvo: crianças (a partir de 5 anos), adolescentes e adultos;
Documentos necessários para inscrição: cópia de qualquer documento de identificação, uma foto 3x4, atestado médico e declaração de matrícula referente ao presente ano letivo (válido para crianças e adolescentes)

Roda de samba Quintal da Portela agita Oswaldo Cruz e Madureira nesta sexta-feira

A quadra da maior campeã do carnaval carioca vai receber mais uma edição da roda de samba Quintal da Portela nesta sexta-feira (16), a partir das 19h. Serginho Procópio, cavaquinista da Velha Guarda Show, e Luciano Bom Cabelo serão os anfitriões do evento, que terá, ainda, as presenças de Arifan, Bruno Lima, Vitor Alves, Paulo Henrique Mocidade, Fernando Procópio, Ju Procópio e outros convidados.
O repertório vai homenagear bambas como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Almir Guineto, Jorge Aragão, Cleber Augusto, Reinaldo, Sombrinha, Luiz Carlos da Vila e Dona Ivone Lara. Pérolas do baú portelense e canções de novos compositores são outros destaques do roteiro.
O público poderá, ainda, conferir artesanato e barracas de petiscos. O evento tem entrada franca até as 21h. 

Serviço:
Roda de samba Quintal da Portela 
Data: Sexta-feira, 16 de agosto
Horário: A partir das 19h
Local: Quadra da Portela
Endereço: Rua Clara Nunes 81, Madureira
Classificação: 18 anos
Informações: (21) 3256-9411  
Ingressos:
Entrada franca até 21h
Depois: R$ 10

Foto: Paulo Henrique Souza (PH)
Legenda: Evento é comandado por Luciano Bom Cabelo e Serginho Procópio

Secretário de cultura promete apoio irrestrito do governo a 'qualquer projeto que envolva a economia do carnaval'

Por Guilherme Ayupp
O secretário estadual de cultura, Ruan Lira, participou na manhã desta terça de um encontro na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Na ocasião ele expôs os novos projetos da pasta da cultura para representantes do empresariado carioca. De acordo com Ruan, o carnaval, deixado de lado na gestão do município, está na linha de frente das intenções da secretaria, como o próprio explicou aos presentes.
“A intenção da gestão do governador Wilson Witzel é de total apoio ao carnaval. Se esse ano foram R$ 4,5 bilhões de arrecadação, nossa intenção é dobrar esse número a partir dos próximos anos. Todo e qualquer projeto que envolva a economia do carnaval será apoiado pelo governo do estado do Rio de Janeiro. Isso vai desde os blocos de rua, não apenas da capital, passando pelos desfiles de escolas de samba e não somente no período do carnaval assim. Nossa intenção é criar uma agenda de eventos que dure o ano todo”, destacou Ruan, sem especificar que medidas seriam essas.
O que já se tem notícia, entretanto, é que está por detalhes a transferência da propriedade do Sambódromo da prefeitura para o Governo Estadual. Outra situação bastante adiantada e que enche as escolas de esperança é a gestão dos recursos dos desfiles passar também para a esfera estadual. Logo que assumiu o Palácio Guanabara, uma das primeiras medidas de Witzel foi a viabilização de recursos para os desfiles este ano, via lei de incentivo.
Ruan Lira destacou a importância da economia criativa, uma das molas mestras do carnaval, para o desenvolvimento do estado. Segundo o secretário trata-se de uma segunda revolução industrial, em pleno século XXI.
“Setor empresarial tem que caminhar junto. Taxa de desemprego de jovens em nosso estado beira os 30%. Como sair disso com a capacidade de investimento reduzida? Apostando na criatividade. A indústria criativa é a nova revolução industrial. A cultura chega muito forte nessa pegada. É fundamental modernizar a nossa matriz de trabalho. Nesse sentido precisamos contar com o setor privado, o empresariado”, destacou.
O secretário de cultura destacou outro aspecto importante do setor da economia criativa. De acordo com Ruan Lira, atualmente apenas o setor de óleo e gás está acima da economia criativa para o estado do Rio de Janeiro.
“Cultura dialoga com todos os setores. Precisamos ser enxergados pela sociedade dessa forma. O nosso governo aposta em mostrar o retorno que a cultura traz para a sociedade. A partir disso conseguimos modificar a estrutura da nossa secretaria. A indústria criativa em 2016 movimentou cerca de 2% do PIB do país. No Rio de Janeiro só perde para o setor de óleo e gás. Apostamos cada vez mais nesse setor”, finalizou.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Secretário estadual de Cultura: ‘Vamos mostrar que o poder público volta a abraçar o carnaval’

Por Guilherme Ayupp
A promessa do governo Wilson Witzel para o futuro das escolas de samba é de um novo momento. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o secretário de Cultura, Ruan Lira, presente no ensaio do Salgueiro, na noite de sábado, afirmou que a proposta é apoiar e incentivar os desfiles começando no Carnaval 2020. Perguntado como será o processo, ele adiantou o que o governador pretende fazer.
“Vamos mostrar que o poder público volta a abraçar o carnaval e entende que está na nossa essência. Está no nosso sangue, é o nosso maior momento de manifestação cultural do estado. É a maior representatividade em geração de emprego e renda. O governo vai abraçar essa causa, junto com o Sambódromo, que vamos revitalizar e dar uma casa mais digna para as escolas de samba e para quem vai assistir aos desfiles. Será um novo momento para o carnaval das escolas de samba”, disse.
O secretário Ruan Lira citou que o governador terá apoios e mecanismos para incentivar os desfiles das escolas de samba.
“A partir de agora cada vez mais vamos incentivar e investir na maior festa democrática do mundo. Entendemos que o carnaval é prioridade. Por mais que a prefeitura tenha se distanciado do carnaval, o governador Wilson Witzel vem fazendo o contrário, que é trazer para perto e dentro do peito. Com todas ferramentas disponíveis que temos e os parceiros vamos colocar novamente o carnaval no topo desse país”, afirmou Ruan Lira.
O momento que a Prefeitura do Rio passará para equipe de Witzel o comando do carnaval ainda depende da formalização do contrato entre o poder público.
“O governador tem negociado com a prefeitura e desenhado a melhor forma de fazer essa transição. O contrato está sendo costurado com as procuradorias e muito em breve vamos assinar”.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Clara Nunes


Se Clara Nunes fosse viva, completaria hoje 77 anos.

Axé... sou eu
Mestiça, morena de Angola, sou eu
No palco, no meio da rua, sou eu

Mineira, faceira, sereia a cantar, deixa serenar
Que o mar... de Oswaldo Cruz a Madureira
Mareia... a brasilidade do "Meu lugar"
Nos versos de um cantador
O canto das raças a me chamar
De pé descalço no templo do samba estou
É rosa, é renda, pra Águia se enfeitar
Folia, furdunço, ijexá
Na festa de Ogum Beira-mar
É ponto firmado pros meus orixás


Eparrei Oyá, Eparrei...
Sopra o vento, me faz sonhar
Deixa o povo se emocionar (refrão)
Sua filha voltou, minha mãe


Pra ver a Portela tão querida
E ficar feliz da vida
Quando a Velha Guarda passar
A negritude aguerrida em procissão
Mais uma vez deixei levar meu coração
A Paulo, meu professor
Natal, nosso guardião
Candeia que ilumina o meu caminhar
Voltei à Avenida saudosista,
Pro Azul e Branco modernista... eternizar
Voltei, fiz um pedido à Padroeira
Nas Cinzas desta Quarta-feira... comemorar


Nossas estrelas no céu estão em festa
Lá vem Portela com as bênçãos de Oxalá
No canto de um Sabiá (refrão)
Sambando até de manhã
Sou Clara Guerreira, a filha de Ogum com Iansã



Grupo Portelamor - Porque amar é fundamental.
www.portelamor.com

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Sinopse do enredo da Portela para o Carnaval 2020

GUAJUPIÁ, TERRA SEM MALES
IRIN-MAGÉ, PAJÉ DO MEL, POVOADOR DA TERRA...
Todas as bênçãos criadas por Monã (o Deus dos Tupinambás) trariam felicidade e contentamento a todos os seres aqui existentes, menos para o homem. Insurgentes, desprezaram tudo o que generosamente lhes fora dado. 
Então veio castigo. O fogo desceu do céu e destruiu tudo sobre a terra. Apenas um homem considerado digno, foi poupado desse castigo. Seu nome era Irin-Magé.
Levado para o céu ele, aos prantos, diz à Monã, que seria difícil viver sem pares nesse imenso vazio. Comovido, Monã reverte a situação, e fez com que caísse um dilúvio sobre a terra. Dessa água surgiram os oceanos, os rios e tudo frutificou.

Monã então deu a Irin-Magé uma mulher e o mandou de volta à terra para que ele a repovoasse de homens melhores. Dentre os muitos de seus filhos, nasce um em especial que se tornaria o grande guru, o grande karaíba, "o profeta transformador", chamado Maíramûana. 
Familiar de Monã, Maíramûana aprendera a arte de transformar tudo o que quisesse de acordo com sua vontade nas mais diversas formas; de animais, pássaros, peixes e para punir os homens podia transformá-los também ao seu bel-prazer. 
É esse profeta-guru, dotado de poderes e conhecimentos "sobrenaturais" e misteriosos, quem ensinará todas as práticas sagradas, todos os costumes e regras da organização social das tribos tupinambás.

BAÍA DA GUANABARA, NOSSO GUAJUPIÁ
Na beleza do azul sobre o azul, da calma sobre a calma, um curso d'água serpenteia num vale de árvores verdes e frondosas. Em todas as direções a floresta é vívida. Há que se fiar no Sol, a luz é cultivada e tudo deve ser puro.
O rio é o caminho, é sagrado, tem peixe, tem marisco. As aves voam livres, colorindo o céu. Temos tudo ao alcance das mãos, água de beber, de lavar e de se banhar. Vivemos a vida em profunda gratidão. 
 
Mas além de pescar e caçar, somos também bravos guerreiros. Só aqueles que enfrentam a morte, sem medo, conseguem encontrar o Guajupiá. Os tupinambás representavam esse paraíso como um lugar idílico, recoberto de flores e regado por um maravilhoso rio, em cujas margens viam-se enormes árvores. 
E nenhum lugar poderia ser tão igual ao imaginado Guajupiá eterno do que um Rio de Janeiro ainda virgem.

NASCE UM KARIÓKA
Chemembuira rakuritim, chemebuira rakuritim (eu já vou parir, eu já vou parir)
Nasce um tupinambá. Ritos e tradições serão seguidos, para assegurar bons presságios. Unhas de onça e garras de águia, ornarão o berço-rede, para garantir que nada de mal lhe aconteça.
Pai, mãe, filhos, avós, tios, tias, primos e primas, se juntam, está formada a maloca, a casa coletiva da tribo. Cercando o okara (grande quintal) se construía uma taba. Karióka, a lendária taba tupinambá, surge majestosa à esquerda da paradisíaca baía de kûánãpará. 
O homem roçava a terra, plantava, fabricava canoas, arcos, flechas, tacapes, adornos de penas multicoloridas. Eram eles os responsáveis pela segurança das tabas.  E sua função primordial era a de ensinar a arte da guerra.
Às mulheres eram imputadas as rígidas tradições e responsabilidades tribais, cuidavam da horta, participavam da pesca, fiavam algodão, teciam redes, fitas para amarrar nos cabelos e faixas para amarrar as crianças, trançavam cestos em junco e vime, manuseavam o barro para produzir panelas, vasilhas e potes, e mantinham acesos os dois fogos junto a rede do chefe da família. Eram o sustentáculo para o "esforço de guerra" tão cultivado pelo tupinambás.
Aos mais velhos cabiam repassar oralmente as histórias, o saber, e as orientações do que deveriam fazer, aos ainda jovens, em cada fase de sua vida.
Os tupinambás acreditavam que o homem tinha duas substâncias essenciais: uma eterna e outra transitória e ambas, o corpo e a alma, estavam ligadas.

KAÛÍ, A BEBIDA "DOS DEUSES"
Ó vinho, ó bom vinho! Jamais existiu outro igual!
Ó vinho, ó bom vinho! Vamos beber à vontade.
Ó vinho, ó bom vinho! Ó bebida que não dá preguiça!
Peguem as canoas! Passem pelas tabas: Yaberica – a aldeia maracanã, a do Peixe Pirá, de Eiraiá – atual Irajá - e sigam em direção a Guirá Guaçu, a aldeia com nome de águia, porque a festa vai começar!
Ao som dos marakás, chocalhos, flautas, tambores, pífanos e apitos, cantamos e dançamos. Tem que ter Kaûi ou Cauim, o licor sagrado que tanto adoramos.
A bebida era feita de raízes e frutos. As propriedades inebriantes do cauim eram feitas pela mastigação, e esse processo era considerado místico. Só mulheres, as mais lindas e puras, podiam participar da fabricação do "vinho". Os tupinambás eram beberrões respeitados e era difícil acompanha-los. A festa poderia durar vários dias, enquanto houvesse bebida, porque disposição para consumi-la não faltaria.
... E todas as bênçãos criadas por Monã (o Deus dos Tupinambás) trariam felicidade e contentamento a todos os seres aqui existentes, menos para o homem. Insurgentes desprezaram tudo o que generosamente lhes fora dado. Então veio castigo...
Um Rio teve que acabar para que outro pudesse surgir. Como poderia ter sido se tivéssemos respeitado a diversidade étnico-cultural? Enterrada no esquecimento perdemos o elo com nossa ancestralidade primal, perderam eles, perdemos nós, absurdamente privados dessa experiência!

GUAJUPIÁ, O QUE FIZEMOS DE TI?
Essa coisa do azul sobre o azul
Da calma sobre a calma
Às vezes me cansa
Às vezes me acalma
Eu paro no sinal vermelho
Uns pedem dinheiro
Uns sacam o revólver
Um outro expõe a própria dor
Segue o asfalto
Metálico fluxo
Saudade é um retrovisor
Há que se fiar no sol
E cultivar a luz
Purificar o pus
Deus
Assisto a vitória do bronco, do bruto
Do sínico e da servidão
Segue o espetáculo
No estádio, na tela
Parlamentam sobre a escrotidão
Mas quando a tribo invadir a floresta
Subindo até o Sumaré
E deslinkar a torre, o Brasil
Meu mano então como é que é?
Há que se firmar na terra
O teto, o viaduto
Proliferar o fruto
Deus
(em memória - letra da música "Palas Superficiais", de Marco Jabu)
"Cavam em busca de uma coisa
Que se sente estar profunda
Mas que foge e se esquiva
Quando chega à superfície
Uma coisa que está ali
Numa terra de mistério". 
(Poema de Joaquim Cardozo)                                                                                 
                                                              

Autores: Renato Lage e Márcia Lage

BIBLIOGRAFIA:
- O RIO ANTES DO RIO
Autor: Rafael Freitas da Silva
Editora: Babilônia
- O POVO BRASILEIRO
Autor: Darcy Ribeiro
Editora: Companhia de Bolso
- DUAS VIAGENS AO BRASIL
Autor: Hans Staden
Editora: L&PM Pocket Descobertas
- Documentário Guerras do Brasil.doc – episódio 1 (NETFLIX)
Criação: Luiz Bolognesi

Logo Oficial Portela 2020


terça-feira, 6 de agosto de 2019

Filme produzido no projeto Por Telas é premiado no Cine PE 2019

O filme "#Procura-se Mulheres", de Rozzi Brasil, foi premiado na categoria Melhor Edição de Som, na mostra competitiva de curta-metragens nacionais do Cine PE 2019. A lista dos vencedores da 23ª edição do tradicional festival foi anunciada no último domingo (4), no histórico Cinema São Luiz, no Recife.
Fruto da oficina de audiovisual Por Telas, realizada pela produtora Canto de Sala e pela Portela em 2018, o filme exalta a força feminina no samba e a luta contra o preconceito. Daniel Tavares, o Jack, integrante do corpo docente da oficina, foi o responsável pela captação de som direto, mixagem e edição de som do curta premiado com o Calunga.
Além de Rozzi Brasil, que foi aluna do projeto, "#Procura-se Mulheres" destaca, entre outros nomes, a cantora Ana Quintas, as compositoras Dayse do Banjo e Meri de Liz, a percussionista Ju Procópio e a ex-vereadora e presidente da Unidos de Vila Isabel, Lícia Maria Caniné, a Ruça.
Pioneiro no universo das escolas de samba, o projeto social Por Telas foi lançado em abril do ano passado, quando a Portela completou 95 anos. A primeira turma reuniu 22 moradores de Madureira e bairros vizinhos em aulas de cinema realizadas entre maio e agosto, duas vezes por semana, na quadra, sob o comando do cineasta André da Costa Pinto e idealização da produtora cultural Cecília Rabello.
Outros dois curtas foram produzidos: "Um Craque Esquecido", de Ygor Lioi; e "Do Samba ao Sample: Entre Duas Culturas", de Ruan Lucena. Desde então os três filmes já foram exibidos em universidades, cineclubes, eventos na Portela e até no Museu de Arte do Rio (MAR). Outra grande vitória do projeto foi a seleção de "Um Craque Esquecido" para a mostra competitiva do CINEfoot 2018.  
Confira a lista completa dos vencedores do Cine PE 2019:
PRÊMIO CANAL BRASIL
Melhor Curta - Apneia (PR)

PRÊMIO DA CRÍTICA - ABRACCINE
Melhor Curta Nacional - A Pedra (RS)
Melhor Longa-Metragem - Espero Tua (Re)Volta (SP)

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS
Melhor Filme - Coleção
Júri Popular - Mulheres de Fogo 
Melhor Direção - André Pinto e Henrique Spencer (Coleção)
Melhor Roteiro - André Pinto (Coleção)
Melhor Fotografia - André de Pina (Quando A Chuva Vem)
Melhor Montagem- Paulo Leonardo (Quando a Chuva Vem)
Melhor Edição de Som - Alisson Santos (Quando a Chuva Vem)
Melhor Direção de Arte - Jefferson Batista (Quando a Chuva Vem)
Melhor Trilha Sonora - Miguel Guerra (S/N (Sem Número))
Melhor Ator - Jorge de Paula (Coleção)
Melhor Atriz - Hermínia Mendes (Coleção)

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
Melhor Filme - (Cor de Pele)
Júri Popular - (Tommy Brilho)
Melhor Direção - Carlos Nigro (Casa Cheia)
Melhor Roteiro - Faustón da Silva (A Margem Do Universo)
Melhor Fotografia - Gustavo Serrate (A Margem Do Universo)
Melhor Montagem - Yan Motta (Cor de Pele)
Melhor Edição de Som - Daniel Tavares (Jack) (#Procuram-se Mulheres)
Melhor Direção de Arte - Helga Queiroz (Casa Cheia)
Melhor Trilha Sonora - Bruno Vieira Brixel (Vivi Lobo e o Quarto Mágico)
Melhor Ator -  Felipe Kannenberg (A Pedra)
Melhor Atriz - Petra Sunjo (A Margem Do Universo)

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS
Melhor Filme - Espero Tua (Re)Volta
Júri Popular - Abraço
Prêmio especial do Júri - Vidas Descartáveis 
Menção honrosa - atrizes Izabel Santos e Rita Maia, do filme Abraço
Melhor Direção - Marcelo R. Faria e Rafael Moura (Teoria do Ímpeto)
Melhor Roteiro - Eliza Capai (Espero Tua (Re)Volta)
Melhor Fotografia - André Carvalheira - Xará (Teoria Do Ímpeto)
Melhor Montagem - Eliza Capai e Yuri Amaral (Espero Tua (Re)Volta)
Melhor Edição de Som - Simone Petrillo e Cristiano Scherer (O Corpo é Nosso)
Melhor Direção de Arte - Patrícia Nunes (Um e Oitenta e Seis Avos)
Melhor Trilha Sonora - André Abujamira e Eron Guarnieri (Abraço)
Melhor Ator - Adriano Barroso (Teoria Do Ímpeto)
Melhor Atriz - Giuliana Maria (Abraço)
Melhor Ator Coadjuvante - Pablo Magalhães (Teoria do Ímpeto)
Melhor Atriz Coadjuvante - Débora Duarte (Um e Oitenta e Seis Avos)


Foto: Divulgação
Legenda: Rozzi Brasil, que foi aluna do Por Telas, exibe o prêmio conquistado no CINE PE 2019

Crônica - Velhas companheiras

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Grupo Portelamor
Porque amar é fundamental

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Carlos Monte e João Baptista Vargens são homenageados pela diretoria da Portela

Portelenses históricos e biógrafos da Velha Guarda Show, eles foram agraciados com a Medalha Natal da Portela
Carlos Monte e João Baptista Vargens, autores do livro "A Velha Guarda da Portela", foram homenageados pela diretoria da Portela, no último sábado (3), durante a tradicional Feijoada da Família Portelense. Os dois receberam a Medalha Natal da Portela das mãos do presidente Luis Carlos Magalhães. A honraria tem o objetivo de reverenciar portelenses que prestam relevantes serviços à Majestade do Samba.
Além dos membros da Velha Guarda Show, a cerimônia contou com a presença ilustre de Dona Neném, de 94 anos, viúva do compositor Manacéa e amiga de longa data dos homenageados. Lançado em 2001 pela editora Manati, o livro escrito por Monte e João Baptista conta a gloriosa história do grupo musical formado por bambas portelenses.
Sócio benemérito da Portela e pai da cantora Marisa Monte, o engenheiro Carlos Monte, que completou 80 anos no dia 25 de julho, entrou para a escola na década de 1970, quando foi convidado para ser diretor cultural. Atualmente ocupa uma vaga de suplente no Conselho Deliberativo.
Escritor, tradutor e pesquisador, João Baptista M. Vargens é professor titular e coordenador do Setor de Estudos Árabes da UFRJ. Além de extenso trabalho e publicações sobre cultura árabe, escreveu, ainda, livros sobre os compositores Candeia, Martinho da Vila, Monarco e Casquinha. Portelense desde sempre, foi um dos fundadores do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, em 1975, ao lado de Candeia e outras personalidades. 

Foto: Paulo Henrique Souza (PH)
Legenda: Carlos Monte e João Baptista Vargens posam no palco com a baluarte Dona Neném, viúva do compositor Manacéa 

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Sinopse do enredo da Portela será lançada no dia 07 de agosto

A diretoria da Portela vai realizar no dia 7 de agosto (quarta-feira), às 19h, na sede da Portelinha, o lançamento da sinopse do enredo "Guajupiá, Terra Sem Males". Na ocasião, os carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage farão a leitura do texto e uma pequena explanação sobre o tema aos compositores da Ala Ary do Cavaco.  
O evento é aberto ao público. A quadra histórica da Portelinha fica na Estrada do Portela 446, em Oswaldo Cruz. Em 2020, a Azul e Branco será a sétima escola a desfilar no Domingo de Carnaval, na Marquês de Sapucaí.
Serviço:
Entrega da sinopse do enredo de 2020 da Portela
Data: 7 de agosto (quarta-feira)
Horário: 19h
Local: Quadra da Portelinha
Endereço: Estrada do Portela 446, Oswaldo Cruz, em frente à Praça Paulo da Portela
Entrada franca

Foto: Divulgação
Legenda: Carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage vão participar do lançamento da sinopse na Portelinha, ao lado do presidente Luis Carlos Magalhães

Domingo tem programa especial na Rádio Manaceia

O samba dominando o mundo

O novo projeto da Portelamor atende aos vários pedidos de nossos seguidores, de reservarmos um espaço para o samba de outras agremiações em nossa Rádio Manaceia. O título do projeto alude ao enredo da Portela para o carnaval de 1935, quando a escola se sagrou campeã do primeiro desfile oficial, conquistando seu primeiro título. O projeto irá homenagear as escolas coirmãs, por sua luta em prol do samba, ritmo que nos une em torno de um ideal comum: a cultura brasileira e a cultura do carnaval.

Inaugurando nosso projeto, o Grêmio Recreativo Estação Primeira de Mangueira. Sua história vencedora confunde-se com a própria história do carnaval carioca e seu vínculo com a Portela remonta aos tempos de Paulo da Portela e seu grande amigo Cartola. Como escreveu e cantou Monarco, “Tremulavam juntas nossas bandeiras/ Velhas companheiras/ Semeando a paz/ Por isso que Portela e Mangueira/ Sempre foram as primeiras/ Dos idos carnavais”.

Para bebermos da chama do samba mangueirense, trouxemos canções de Cartola, Carlos Cachaça, Nélson Cavaquinho e Nélson Sargento, baluartes míticos da Estação Primeira. Os sambas-enredo antológicos da verde e rosa completam nossa homenagem, ao lado de obras que exaltam a história e a importância dessas duas agremiações que juntas respondem por metade dos títulos dos carnavais cariocas. Salve a verde e rosa, salve a Estação Primeira de Mangueira!



Grupo Portelamor
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