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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Se Chico Santana se fosse vivo, amanhã completaria 107 anos


Francisco Felisberto Santana, ou simplesmente Chico Santana, veio a mundo no dia 22 de setembro de 1911. Chico Santana nasceu em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Um dos grandes nomes da arte portelense, ele teve “a sensibilidade de transformar em música o jeito portelense de ser, traduzindo em belas canções seu amor pelas cores de sua escola de coração”, conforme lemos no site da Portelaweb. Chico Santana faleceu no dia 26 de março de 1988, aos 76 anos. Seu nome está para sempre marcado na história dos grandes sambistas portelenses, sendo considerado por muitos o compositor símbolo da gloriosa Águia de Madureira.

Chico Santana também ficou conhecido como Chico Traidor (aquele que foi traído e não traiu jamais). Esse apelido se deve ao “Samba da traição”, subtítulo para “Existe um traidor entre nós”:

Quem vê cara não vê coração
Um sorriso também pode ser uma traição
Cristo também foi traído
Por Judas fingindo seu amigo
Com tanta ternura um beijo na testa lhe deu
E por trinta dinheiros lhe vendeu

Com um sorriso Cristo recebeu o beijo de ironia
Dando a impressão que nada sabia
Judas estremeceu ao ouvir sua voz:
“Existe um traidor entre nós”

Seus versos são exaltados por conta de serem diretos e eloquentes, com uma clareza que se percebe em composições magistrais, como “Lenço”, em parceria com Monarco, e um de seus maiores sucessos:

Se o teu amor
Fosse um amor de verdade
Eu não queria e
Nem podia ter maior felicidade
Com os olhos rasos d'agua me chamou
Implorando meu perdão, mas eu não dou
Pega esse lenço, vai enxugar teu pranto
Já enxuguei o meu
O nosso amor morreu.

Seguirei a ordem do meu coração
Não me fale de amor
Nem tão pouco me peça perdão
Eu não vejo honestidade em teu semblante
Falsidade isso sim, eu vi bastante
Pega esse lenço e não chora,
Enxugue o pranto, diga adeus e vá embora

Chico Santana formou parcerias, além de Monarco, com Mijinha, Argemiro Patrocínio, Alvaiade e Manaceia. O Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira registra as seguintes composições de Santana:

Adeus, eu vou partir (com Mijinha)
De Paulo da Portela a Paulinho da Viola (com Monarco)
Dizem que o amor (com Argemiro Patrocínio)
Existe um traidor entre nós
Hino da Velha Guarda da Portela
Lenço (com Monarco)
Minha querida (com/ Manaceia)
Muito embora abandonado (com Mijinha)
Noite em que tudo esconde (com Alvaiade)
Passado de glória (com Monarco)
Pranto
Saco de feijão
Vaidade de um sambista
Vida fidalga (com Alvaiade)

Segundo a Portelaweb, quando deixou a Zona Oeste e mudou-se para Oswaldo Cruz, ainda muito jovem, Chico não demorou a se aproximar dos grandes nomes da Portela. A identificação com o samba tinha sido imediata. Contudo, da mesma forma que os demais sambistas de Oswaldo Cruz, Chico precisava trabalhar para sobreviver, e a vocação para a música teve que ficar, inevitavelmente, para um segundo plano. Assim como outros portelenses famosos, Chico era lustrador. Trabalhava como ajudante em uma fábrica de móveis, lustrando e dando os retoques finais às peças que sofriam algum tipo de avaria durante o transporte. Teve quatro filhos em seus dois primeiros casamentos. Ainda de acordo com a Portelaweb, Chico Santana deixou sua voz em trabalhos do amigo Candeia. Contudo, era com seus amigos da Velha Guarda da Portela que Chico tinha lugar de destaque. Participou do primeiro LP do grupo, em 1970, e permaneceu até seus últimos dias entre seus amigos. Muito querido por todos, Chico foi o autor do Hino da Velha Guarda, mostrando em forma de poesia que idade não é problema quando se tem talento e força de vontade:

A velha-guarda da Portela vem saudar
Com esse samba para a mocidade brincar
Estamos aí, como vocês estão vendo
Estamos velhos, mas ainda não morremos
Enquanto há vida há esperança
Diz o velho ditado, quem espera sempre alcança
Nosso teor, não é humilhar a ninguém
Nós só queremos mostrar o que a Velha-Guarda tem

Chico Santana também se notabilizou pelos hinos de exaltação da Portela. Ele cantou a escola, suas glórias, conquistas e orgulho do portelense por seu pavilhão, conforme a bela composição do hino oficial da Portela:

Portela suas cores têm
Na bandeira do Brasil
E no céu também
Avante portelense para a vitória
Não vê que o teu passado é cheio de glória
Eu sinto saudade
Desperta oh! grande mocidade
As suas cores são lindas
Seus valores não têm fim
Portela querida
És tudo na vida pra mim.

Em outra obra sobre a Portela, Chico demonstrava a vaidade que todo portelense tem de sua história. Em “Vaidade de um sambista”, Chico Santana mostrava que a Portela era uma escola especial e que os portelenses nutriam um sentimento único em relação à escola. Um amor e um carinho peculiares, capazes de tornar a própria vitória, objetivo máximo de uma agremiação, em banalidade, perto da grandiosidade desse amor.

Chico criou alguns sucessos que marcaram a música popular brasileira. Dentre eles, destaca-se “Saco de Feijão”, gravado por Beth Carvalho, que em pouco tempo estourou nas paradas de sucesso, levando a poesia de Oswaldo Cruz para o topo das paradas de sucesso por vários meses. Chico Santana é considerado por muitos o compositor símbolo da escola, e seus sucessos ganharam, na voz de grandes intérpretes, as paradas de sucesso.

O azul da Portela está na bandeira do Brasil, está no céu também. Chico fincou sua obra na história de Oswaldo Cruz, entrando para a galeria dos grandes artistas desse bairro que exala notas musicais, ao lado de Manaceia, Candeia, Paulo da Portela e muitos outros mestres. Chico nos ensinou a olhar nosso passado de glórias, mostrando aos jovens que o futuro pode ser ainda mais bonito. Chico nos ensinou que os jovens não precisam temer os desafios. Mostrou que, inspirado em nossas conquistas, podemos escrever um futuro ainda mais vitorioso. Desperta, oh mocidade portelense!

Chico Santana mostrou que nossos valores não têm fim. Cantou a sua Portela querida, a Portela que foi tudo em sua vida, e até hoje suas notas musicais são ouvidas no Portelão.





quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Nilce Fran se encanta com pontos turísticos e gastronomia do Japão


Coordenadora da ala de passistas da Portela está no país asiático para promover oficinas de dança
 
Entre uma oficina de dança e outra com alunas japonesas, a coordenadora da ala de passistas da Portela, Nilce Fran, tem aproveitado para conhecer um pouco da cultura do país asiático. Nesta quarta-feira (19), a sambista visitou o Grande Buda, na cidade de Kamakura, no Estado de Kanagawa. 

Impressionada com a estátua de 12 metros de altura construída em 1252, Nilce fez questão de posar com a bandeira da Portela ao lado de Kishuko Sudoh, vice-presidente do Consulado da Portela no Japão, entidade responsável pela visita da passista Estandarte de Ouro.

"É realmente um privilégio estar aqui. Cultura, gastronomia, tecnologia... tudo! Sem falar no povo, que é extremamente acolhedor. Estou muito feliz! Muita gratidão ao samba, muita gratidão à Portela", disse Nilce, que tem no currículo trabalhos em 17 países.

Na última terça-feira (18), o passeio cultural foi no templo budista Sensoji, o mais importante templo da capital japonesa, construído no Século XIII.

Desde o último dia 13 no Japão para ministrar uma série de dez oficinas de passistas, Nilce, que também é membro da comissão de Harmonia da Portela, cumprirá agenda de aulas até o próximo domingo (23), quando ocorrerá uma roda de samba em sua homenagem. O retorno ao Rio está marcado para o dia 25.

Vale lembrar que o tour da coordenadora de passistas acontece pouco depois da visita do presidente Luis Carlos Magalhães, do mestre-sala Marlon Lamar e da porta-bandeira Lucinha Nobre ao Japão. Em dez dias, a comitiva portelense promoveu palestra e oficinas de dança, além de conhecer pontos turísticos. O momento mais emblemático, no entanto, foi a participação dos três no desfile de Asakusa, que reuniu cerca de 400 mil pessoas.


Foto: Consulado da Portela no Japão / Divulgação
Legenda: Nilce Fran posa com Kishuko Sudoh, vice-presidente do Consulado da Portela no Japão, diante da estátua do Grande Buda



Foto: Paulo Varella / Divulgação
Legenda: Paulinho fez história no futebol carioca durante a década de 1950


Filme Um craque esquecido será exibido neste sábado, no 9º Cinefoot, com entrada franca


Curta é um frutos do projeto social promovido pela Portela em parceria com a produtora Canto de Sala


O filme "Um Craque Esquecido", um dos curtas produzidos pelos alunos do projeto social Por Telas, será exibido neste sábado (22), às 17h, no Estação Net Botafogo, em sessão hors-concours do 9º Cinefoot - Festival de Cinema de Futebol, com entrada franca. Um dia antes, ele terá a exibição de estreia na quadra da Portela, em Madureira, a partir das 20h.

Com direção de Ygor Lioi e equipe, "Um Craque Esquecido" conta a história do ex-jogador Paulo Ribeiro de Omena, o Paulinho Ladrão de Bola, que fez história no Botafogo, no Fluminense e em outros clubes.

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O atleta foi um dos grandes personagens do futebol carioca dos anos 1950. Revelado pelo Madureira (onde fez dupla de ataque com Evaristo de Macedo), jogou ao lado de Garrincha e Nilton Santos no Botafogo, levantou troféus com Telê e Castilho no Fluminense, foi exaltado e xingado pelas multidões no Maracanã. Décadas mais tarde, longe dos holofotes, o velho Paulinho Ladrão de Bola leva uma vida humilde em Marechal Hermes, Zona Norte do Rio, e mal se lembra dos tempos de fama.

O filme, que conta com uma participação especial do narrador Luiz Penido, da Rádio Globo, é fruto do pioneiro projeto de audiovisual promovido pela escola de samba Portela em parceria com a produtora Canto de Sala, de Cecília Rabello.

Vale ressaltar que "Um Craque Esquecido" é mais do que uma homenagem aos boleiros engolidos pelo tempo. É a forma que o diretor Ygor Lioi encontrou para resgatar a memória de seu avô Paulinho. Uma verdadeira declaração de amor. 

E para quem quiser conferir o filme, uma ótima notícia: um ônibus sairá da quadra da Portela, neste sábado, às 15h, levando integrantes do projeto Por Telas, componentes da agremiação e outros interessados em assistir ao curta em Botafogo. Partiu?


Serviço:
- Exibição de "Um Craque Esquecido" no Cinefoot
Data e hora: Sábado, dia 22 de setembro, às 17h
Local: Estação Net Botafogo
Endereço: Rua Voluntários da Pátria 88, Botafogo (perto do metrô)
Entrada franca
OBS: Ônibus gratuito partindo da quadra, às 15h, em direção ao cinema


- Sessão de estreia dos curtas "Um Craque Esquecido", "Procuram-se Mulheres" e "Do Samba ao Sample: Entre Duas Culturas"
Data e hora: Sexta-feira, dia 21 de setembro, às 20h
Local: Quadra da Portela
Endereço: Rua Clara Nunes 81, Madureira
Entrada franca



Foto: Paulo Varella / Divulgação
Legenda: Paulinho fez história no futebol carioca durante a década de 1950



Portela realizará eliminatória com sete sambas neste domingo


A Portela vai realizar neste domingo (23), a partir das 16h, a sua quinta eliminatória de samba-enredo, com apresentação das sete parcerias que seguem na disputa.

A abertura será com show de casais de mestre-sala e porta-bandeira, passistas, baianas, intérpretes, a bateria Tabajara do Samba e a rainha Bianca Monteiro. A escolha do hino oficial será no dia 5 de outubro, a partir das 22h.

Em 2019, a Portela será a terceira escola a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, com o enredo "Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá", desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães. O tema vai homenagear a cantora Clara Nunes, um dos maiores ícones da história da agremiação.
 

Ordem de apresentação das parcerias - 23/09

1- Gaúcho, Camarão Netto, Nando Gigante, Wagner Muguinho, Pirique Neto, Thiago Maciel, Sergio Pinto, Fred Lima, Piter e Marquinhos

2- Thiago na Fé, Bruno Lima, Crisshow Portela, Carlinhos Petisco, França Junior, Machadinho, Filipe Acaf, Serginho 20, Henrique Hoffman e Paulinho Valença

3- Jorge do Batuke, Valtinho Botafogo, Rogério Lobo, Beto Aquino, Claudinho Oliveira, José Carlos, Zé Miranda, D’Dousa e Araguaci
  
4- Celso Lopes, Charlles André, Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, André do Posto 7, Jefferson, Bira e Guerra
  
5- Samir Trindade, Elson Ramires, Neizinho do Cavaco, Paulo Lopita 77, Beto Rocha, Rafael Bula e Girão

6- Toninho Nascimento, Luiz Carlos Máximo, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Manu da Cuíca, Anderson Paz, Elias Camilo, Fabiano Paiva e Pedro Ambrosio

7- Ciraninho, Alceu Maia, Alex Magno, William Carpete, Rafael dos Santos, Flavinho Bento e Angel Portela


Serviço:
Quinta eliminatória de samba-enredo da Portela 
Data: Domingo, dia 23 de setembro de 2018
Horário: A partir das 16h
Local: Quadra da Portela
Endereço: Rua Clara Nunes 81, Madureira
Classificação: Livre
Informações: (21) 3256-9411 / 3217-1604
Entrada: R$ 10
Mesa com quatro lugares: R$ 20 (não inclui a entrada)


Foto: Leo Cordeiro
Legenda: Bateria Tabajara do Samba vai acompanhar todos os sambas concorrentes



terça-feira, 18 de setembro de 2018

Portelinha receberá 1º Encontro dos Grupos Musicais das Galerias das Velhas Guardas


Evento vai reunir Portela, Salgueiro e Imperatriz Leopoldinense no próximo sábado  

A quadra da Portelinha será palco do 1º Encontro dos Grupos Musicais das Galerias das Velhas Guardas, neste sábado (22), a partir das 15h. Na ocasião, bambas da Portela, do Salgueiro e da Imperatriz Leopoldinense vão relembrar clássicos do samba de raiz e sambas-enredo antológicos.

A entrada para o evento é franca. A organização, no entanto, pede que os convidados (que possam) levem um quilo de alimento não perecível, para uma campanha de doação. 

A sede histórica da Portelinha fica Estrada do Portela 446, em Oswaldo Cruz.

Em novembro, a Galeria da Velha Guarda da maior campeã do carnaval carioca completará 50 anos de fundação. A festa do jubileu de ouro será celebrado no Portelão, com uma grande confraternização.



Foto: Wallace Mendonça / Divulgação
Legenda: Membros da Galeria da Velha Guarda durante apresentação no palco do Portelão


Confira lista dos sete sambas classificados na Portela


Depois da eliminatória realizada neste domingo (16), a Portela classificou sete sambas para a próxima rodada. A escolha do hino oficial será no dia 5 de outubro. 

Em 2019, a Portela será a terceira escola a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, com o enredo "Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar uma Sabiá", desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães. O tema vai homenagear a cantora Clara Nunes, um dos maiores ícones da história da agremiação.
  
Confira as parcerias classificadas - 16/09

Ciraninho, Alceu Maia, Alex Magno, William Carpete, Rafael dos Santos, Flavinho Bento e Angel Portela
  
Jorge do Batuke, Valtinho Botafogo, Rogério Lobo, Beto Aquino, Claudinho Oliveira, José Carlos, Zé Miranda, D’Dousa e Araguaci

Gaúcho, Camarão Netto, Nando Gigante, Wagner Muguinho, Pirique Neto, Thiago Maciel, Sergio Pinto, Fred Lima, Piter e Marquinhos

Celso Lopes, Charlles André, Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, André do Posto 7, Jefferson, Bira e Guerra
  
Toninho Nascimento, Luiz Carlos Máximo, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Manu da Cuíca, Anderson Paz, Elias Camilo, Fabiano Paiva e Pedro Ambrosio

Thiago na Fé, Bruno Lima, Crisshow Portela, Carlinhos Petisco, França Junior, Machadinho, Filipe Acaf, Serginho 20, Henrique Hoffman e Paulinho Valença

Samir Trindade, Elson Ramires, Neizinho do Cavaco, Paulo Lopita 77, Beto Rocha, Rafael Bula e Girão



Foto: Wallace Mendonça
Legenda: Ala de baianas da Portela durante apresentação no palco


Artigo: sobre encontros e reencontros


Membro do Departamento Cultural da Portela comenta edição histórica e emocionante do projeto Portela de Asas Abertas, com tributo a Clara Nunes e a presença dos grupos Cartola de Noel, Moça Prosa e Tambores de Olokun 

Era um dia muito aguardado por todos. Mais um momento de homenagear a principal estrela do nosso enredo. Um reencontro aguardado pelos amantes da cultura brasileira e
principalmente da cultura do samba. Foi um dia de primeiros encontros. Foi um dia de muitos reecontros.

Reencontro com as diversas linguagens e identidades que tecem o tecido maravilhoso da cultura popular. O reencontro de sentimentos puros e nobres em nosso chão, nosso terreiro, que através da arte, da música, da dança, da poesia, provocam abraços, sorrisos, lágrimas e sensação de sublimação. 

Momentos de êxtase e reverência vividos ali, sob as asas da Águia das águias. A majestade. Curvados, todos nós estávamos a pedir que nossos caminhos se reencontrem. Que nossas vidas seja mais possíveis através da beleza, da celebração, do fazer o bem e da arte do encontro.

Nossa missão é fazer história. Nosso papel é também contar essa história no aqui e agora, que vem de lá de outro tempo-lugar, de nossa ancestralidade e que nos mostra o caminho a percorrer. O caminho do encontro. 

Viva os poetas e poetisas do Asas Abertas! Viva o Samba do Voluntário! Viva para sempre Wilson Moreira! Viva Cartola de Noel, Viva Moça Prosa! Viva Tambores de Olokun! Viva Clara Nunes! Viva o encontro de todas as raças! Viva a Portela!



Texto de Tarsilo Delphim Coutinho, professor de inglês e membro do Departamento Cultural da Portela

 
Foto: Elizabeth Rabelo 
Legenda: Integrantes do Tambores de Olokun reverenciam águia da Portela 


domingo, 16 de setembro de 2018

Coordenador de destaques da Portela é homenageado durante premiação em São Paulo


O coordenador de Destaques da Portela, Carlos Ribeiro, foi homenageado durante a festa de entrega do Troféu Patrimônio Nacional do Samba, na última sexta-feira (14), em São Paulo.

Responsável pelos tradicionais Destaques de luxo da maior campeã do carnaval, Ribeiro, que foi o único representante carioca do segmento convidado para o evento, recebeu uma placa das mãos dos diretores da Associação dos Destaques das Escolas de Samba de São Paulo (ADESP), entidade responsável pela premiação.

"Foi uma noite muito especial. Me senti valorizado com o convite e o prêmio. Os destaques do carnaval precisam disso", disse Ribeiro, que após a premiação prestigiou, ainda, a festa de lançamento dos protótipos da Gaviões da Fiel.



Foto: Divulgação



Fonte: www.gresportela.com.br

Ordem de desfiles das escolas de samba mirins para Carnaval 2019 é definida

Por Redação SRzd

As escolas de samba mirim do Rio de Janeiro já sabem a ordem na qual irão desfilar em 2019. A posição que cada agremiação passará pela Avenida no próximo Carnaval foi definida, no último sábado (15), por meio de um sorteio na sede da Aesm-Rio. O evento contou com a participação da diretoria da Associação das Escolas de Samba e de representantes das agremiações mirins.


O sorteio foi dividido em dois momentos: no primeiro, os dirigentes sortearam um número para formar uma sequência para um novo sorteio; no segundo momento, os representantes definiram a ordem de apresentação. Foram concedidos dez minutos para prováveis trocas entre as escolas.

A festa que será realizada pela garotada no próximo ano está prevista para ter início às 17h30min. Cada agremiação terá o tempo regulamentar de 30 minutos para desfilar. A passagem das escolas mirins acontecem na terça-feira, dia 05 de março de 2019. Os ingressos são gratuitos.

Veja a ordem dos desfiles:

1 – Mangueira do Amanhã
2 – Corações Unidos do Ciep
3- Infantes do Lins
4 – Filhos da Águia
5 – Pimpolhos da Grande Rio
6 – Ainda Existem Crianças de Vila Kennedy
7 – Tijuquinha do Borel
8 – Miúda da Cabuçu
9 – Império do Futuro
10 – Inocentes da Caprichosos
11 – Estrelinha da Mocidade
12 – Aprendizes do Salgueiro
13 – Nova Geração do Estácio de Sá
14 – Petizes da Penha
15 – Golfinhos do Rio de Janeiro
16 – Herdeiros da Vila

Fonte: www.srzd.com

sábado, 15 de setembro de 2018

Japonesas lotam primeira oficina de Nilce Fran em Tóquio


Coordenadora de passistas da Portela vai promover 14 workshops durante viagem


Trinta passistas de várias agremiações japonesas participaram do início da série de 14 oficinas que serão ministradas por Nilce Fran. A primeira aula ocorreu na noite desta sexta-feira (14), no bairro de Shinjuku, em Tóquio, com todas as vagas preenchidas.

Nesta primeira fase, a coordenadora da ala de passistas da Portela dividiu as alunas em duas turmas: principiantes e não principiantes. Em seguida, ensinou os movimentos básicos de pés, pernas, quadris, braços e mãos, além de uma sequência de passos. 

Segundo Nilce, que também integra a Harmonia da Azul e Branco, algumas meninas evoluíram bastante durante a primeira aula, no entanto, ainda há muito trabalho pela frente. "Tenho certeza que vai ser uma grande experiência para mim e para as alunas", disse.

Após a atividade, as participantes aproveitaram para tirar fotos com Nilce e receber autógrafos na camisa, que foi especialmente produzida para as oficinas.

De acordo com Kishuko Sudoh, vice-presidente do Consulado da Portela no Japão, a presença de Nilce é um grande estímulo para a cultura do samba no país. "Ela tem muito a nos ensinar."

Neste sábado (15), a Universidade Internacional Cristã do Japão abre pela primeira vez na história suas portas para uma oficina comandada por uma profissional da dança do samba.

A viagem de Nilce ao país asiático está sendo organizada e patrocinada pelo Consulado da Portela no Japão em parceria com o Departamento Cultural da Portela. Tem, ainda, apoio institucional da Embaixada do Brasil em Tóquio.

Vale lembrar que o tour da coordenadora de passistas acontece pouco depois da visita do presidente Luis Carlos Magalhães, do mestre-sala Marlon Lamar e da porta-bandeira Lucinha Nobre ao Japão. Em dez dias, a comitiva portelense promoveu palestra e oficinas de dança, além de conhecer pontos turísticos. O momento mais emblemático, no entanto, foi a participação dos três no desfile das escolas de samba em Asakusa, que reuniu cerca de 400 mil pessoas.
 


Foto: Consulado da Portela no Japão / Divulgação
Legenda: Nilce posa com alunas durante oficina


Portela promove festa para lançar filmes de alunos de projeto social no dia 21


Com entrada franca, evento na quadra da agremiação terá, ainda, show com rapper Chico Tadeu

 
A Portela e a produtora Canto de Sala vão promover uma grande festa de lançamento dos filmes produzidos pelos alunos do projeto social de audiovisual Por Telas. Os três curtas selecionados serão exibidos na próxima sexta-feira (21), a partir das 20h, na quadra da agremiação, em Madureira, com entrada franca. 

Durante duas semanas os futuros realizadores de audiovisual produziram filmes que falam sobre a invisibilidade da mulher no samba, do mestre Paulo da Portela e do ex-jogador de futebol Paulinho, conhecido como "Ladrão de Bola". 

A abertura da noite será com apresentações musicais. Em seguida, serão exibidos os filmes "Procuram-se Mulheres", de Rozzi Brasil; "Um Craque Esquecido", de Ygor Lioi; e "Do Samba ao Sample: Entre Duas Culturas", de Ruan Lucena. O encerramento será com DJ e show do rapper Chico Tadeu, também aluno do projeto.   

Os curtas são resultado da oficina de audiovisual - pioneira no carnaval - lançada em abril, quando a escola completou 95 anos. A primeira turma reuniu 22 moradores de Madureira e bairros vizinhos em aulas de cinema realizadas entre maio e agosto, duas vezes por semana, na quadra, sob o comando do cineasta André da Costa Pinto e idealização da produtora cultural Cecília Rabello.

"Essa é uma primeira ação dentre tantas que ainda pretendemos realizar. Essa turma e esses projetos são a prova de que com investimentos em educação e cidadania, você aponta outros caminhos capazes de formar novas realidades. Estou muito orgulhosa desses novos realizadores que estreiam sua obra na telona. Afinal o caminho final de um filme é a exibição, então estamos proporcionando uma boa estrutura de exibição para celebrar junto a comunidade o lançamento dessas obras", comemora Cecília.

O curso contemplou aulas de roteiro, direção, produção, fotografia, som, montagem, direção de arte e direitos autorais com profissionais do mercado. Em seu primeiro momento, cada aluno escreveu um roteiro e, por votação, três foram selecionados para que virassem curtas. "Muito gratificante chegar a conclusão desse projeto não só pela realização dos filmes, mas por entender que além de formação profissional que é um indicador importante para cidadania, ainda estamos contribuindo para preservação de memória dessa comunidade", diz André da Costa Pinto.

Para o presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães, o evento representa um importante capítulo para a história da escola. "A exibição dos filmes na quadra mostra que o sonho virou realidade. O Por Telas, além de ser pioneiro, é uma grande vitória para a Portela e para todos os envolvidos nesta iniciativa. No ano que a Portela faz 95 anos, é motivo de muito orgulho termos um projeto social tão bonito assim. Estou ansioso para poder ver o trabalho dos alunos."

A quadra da Portela fica na Rua Clara Nunes 81, em Madureira. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3217-1604.


Mais sobre os filmes 


"Do Samba ao Sample: Entre Duas Culturas", de Ruan Lucena

"O objetivo desse texto, e posteriormente a produção audiovisual, é reconstruir a trajetória pessoal e o legado do compositor Paulo Benjamin de Oliveira – o Paulo da Portela – para o cenário cultural do samba carioca nas décadas de 20 a 40 do século XX. Para tal, me baseei em pesquisadores especializados em cultura popular, relações etnicorraciais, samba e sociedade carioca do início do século XX, bem como biografias. As leituras permitiram levantar e discutir articulações históricas entre a relação de Paulo da Portela com figuras como Getúlio Vargas e Walt Disney, bem como a construção da identidade do país através da divulgação nacional e internacional do samba como identidade cultural do Brasil. Como principal conclusão é assinalada a influência da personalidade de Paulo da Portela tanto no perfil das canções, hábitos e vestuários dos sambistas cariocas, quanto das representações sobre o negro e do subúrbio do Rio de Janeiro. Destaco ainda que o principal legado de Paulo, além de ser um dos fundadores da escola de samba Portela, é ter sido responsável pelo formato de institucionalização dos diversos grêmios recreativos escolas de samba nos moldes como são mais conhecidos nos dias atuais." 


"Um Craque Esquecido", de Ygor Lioli

Marechal Hermes, 1941, antiga Rua da Barreira. "Lá vai Geninho...Avança pela ponta esquerda, joga por entre as canetas do zagueiro rubro-negro. Que linda jogada pintando! Vai ao fundo, olha o cruzamento... PERÁCIO... GUARDOU... GOLLLLLL... É do Botafogo!!! PERÁCIO... O craque alvinegro abre o placar na Barreirinha." Eis que começa o sonho! O sonho da maioria dos meninos brasileiros, o de ser um craque de bola. Um deles, nascido lá pelos idos de 1932, em Marechal Hermes, também nutria esse sonho. Sonhava em ser PERÁCIO, em fazer gols em General Severiano, Laranjeiras, e no maior estádio das Américas: São Januário. Quis o destino que o menino Quinho virasse uma estrela em potencial do escrete suburbano da Rua Conselheiro Galvão, o Madureira F.C, para, mais tarde, brilhar em outro palco, o agora majestoso, onipotente, grandioso, maior do mundo, Estádio Jornalista Mário Filho, o nosso Maracanã. Paulinho, na fase adulta; Quinho, para os amigos de infância e família. No meio futebolístico logo se destacou e ganhou um apelido curioso: “Ladrão de bola” , o que lembrava características da essência do futebol brasileiro, o primeiro "Ladrão" do futebol brasileiro. Quinho brilhou com as camisas de Madureira, Botafogo, Náutico, Canto do Rio, Fluminense, Bonsucesso e Seleção Carioca. Se outrora fôra um craque, lembrado por muitos, ovacionado por uns e odiado por outros tantos, nos dias de hoje, nao se lembra das coisas, como tampouco é lembrado pela grande mídia. O célebre Paulo Roberto Falcão disse que o jogador tinha duas mortes. A primeira foi quando pendurou as chuteiras e, a segunda, sua morte física. Seria o esquecimento a terceira morte?"


"Procuram-se Mulheres", de Rozzi Brasil

A mulher é invisível no samba? Invisível, porém imprescindível. O que mantem uma estrutura de pé quase sempre é invisível. É preciso dar à luz o samba que nos desfiles de carnaval foi preterido em detrimento da plástica, da estética de um produto oferecido ao mundo que não necessariamente espelha a realidade. Aqui, na origem, a mulher surge nos segmentos sustentando as instituições mantenedoras das “raízes”, ainda que o ambiente permaneça sequelado de machismo, elas conduzem alas de compositores, tocam firme na bateria, têm sucesso como carnavalescas; estão à frente de projetos de preservação do patrimônio imaterial das suas agremiações. Muitas estão inseridas em rodas de samba, atualmente o nicho onde o samba de raiz mais se expõe.

Gostaria de mostrar mulheres em atividades diversas no samba e trazer a pergunta: é questão de gênero ou questão de pessoa, a raridade de mulheres em posições decisórias nas escolas ou liderando rodas de samba? Eu percebo que as pessoas do “samba de raiz” parecem ter alguma resistência em valorizar os novos enquanto, com justiça, exaltam os antigos compositores, mas por que não, uma repaginada permitindo que enxergássemos dentre os novos talentos várias mulheres nas alas de compositores das escolas.

Teríamos novas carnavalescas surgindo? Às mulheres, no samba, é permitido que participem e daí? Gostaria de um olhar mais apurado e carinhoso para essas mulheres do samba. As "minas" da bateria, as garotas que tocam em rodas e blocos, as compositoras das alas das escolas, as cantoras dos carros de som. As pretas cujas rodas são chamadas apenas de evento. Uma roda de samba será sempre uma roda de samba, não é um chá de panela.

É necessário um movimento de extrusão, para que venha à superfície o trabalho e a figura da mulher que deixou para trás a exclusividade da exibição do seu corpo no carnaval. Elas estão vagarosamente ocupando espaços, mas tudo o que é de dentro pra fora é mais demorado."



Foto: Divulgação
Legenda: Alunos do projeto Por Telas durante externa



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Conheça a nova marca da Portela


Projeto teve aprovação unânime do Conselho Deliberativo da escola

Maior campeã do carnaval carioca, a Portela reuniu baluartes, segmentos e a imprensa, nesta quinta-feira (13), para apresentar sua nova marca, desenvolvida pela Saravah Branding, Comunicação e Design. O lançamento no barracão da escola, na Cidade do Samba, aconteceu um ano após o início do projeto de estratégia, pioneiro no universo do carnaval carioca.

"O resultado foi a construção de uma marca inconfundível, memorável consistente, relevante e apaixonante. Mais que uma logo e uma identidade visual característica, nosso trabalho resgatou às tradições da escola, unindo às suas ambições e todo seu potencial ainda inexplorado, para construir uma série de associações proprietárias que representam a Portela como ela é, como ela foi e como ela será", avaliou Cristiano Mansur, diretor executivo da Saravah.

Diante da baluarte Tia Surica, sócios e representantes de todos segmentos da agremiação, o presidente executivo Luis Carlos Magalhães também elogiou a nova marca, destacando sua importância para o futuro da agremiação, que completou 95 anos em abril. "A Portela precisava reforçar e profissionalizar a gestão de sua marca. Estamos pensando no futuro, mas sem esquecer as tradições da escola. Nosso objetivo é tornar a Portela uma escola autossuficiente e rentável, dependendo cada vez menos das verbas públicas. Nossos projetos sociais e culturais acontecem o ano inteiro, por isso precisamos buscar novas alternativas para obter recursos, como o licenciamento de produtos, por exemplo."

Presidente do Conselho Deliberativo, Fábio Pavão ressaltou que a nova marca foi aprovada por unanimidade pelos conselheiros, além de ter sido apresentada previamente aos líderes de todos os segmentos e departamentos da agremiação.

"Tomamos o cuidado de fazer tudo da maneira mais democrática possível. Todo o desenvolvimento da nova marca foi feito a partir de entrevistas com portelenses ilustres e torcedores da escola. Após a aprovação pelo Conselho Deliberativo, fizemos diversas reuniões com os segmentos para apresentar o resultado", contou Pavão, que também faz parte da comissão de Carnaval.

Pavão revelou, ainda, que a nova marca não será aplicada no pavilhão e nem no palco, que continuarão estampados com a 'marca tesouro', representada pela tradicional águia e as 22 estrelas dos títulos conquistados. "A 'marca tesouro' representa a memória afetiva do portelense, por isso segue no nosso pavilhão e no palco da quadra. As duas marcas, agora, vão coexistir", disse o presidente do Conselho Deliberativo.

Cristiano Mansur também fez questão de detalhar a nova marca, que foi apresentada em vídeo com locução da atriz portelense Gloria Pires. "O projeto de branding da Portela une tradição e vanguarda convivendo em harmonia, em uma marca íntegra, reverente, inventiva, intensa e feita dos azuis mais brilhantes. Feito uma reza e um ritual, uma marca que desperta emoções viscerais, comunhão, ritmo e legado. Uma marca que faz todos quererem pertencer à essa família que se escolhe, criando laços que não se rompem. Uma marca que impressiona e seduz em tons inconfundíveis. Uma marca que reflete onde viemos e pra onde vamos, juntos, com nossas tradições, rituais e códigos. Uma marca que fala a linguagem dos sonhos, cada vez mais majestosa", exaltou.

Simultaneamente ao evento, a Portela apresentou novo layout para o site oficial e redes sociais e lançou um aplicativo (disponível para Android) com notícias, vídeos e informações históricas da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira.

Participaram também da coletiva Paulo Renato Vaz e Vinícius Ximenes, assessores de marketing da Portela; Vanderson Lopes, presidente do Conselho Fiscal; e a carnavalesca Rosa Magalhães.

A equipe da Saravah envolvida no projeto é formada por Cristiano Mansur (diretor executivo), Cristiano Junqueira (diretor de criação), Mariana Hermeto (diretora de design), Raquel Goulart (diretora de estratégia), Rafael Bittencourt (coordenador de branding) e Kassio Araújo (atendimento).