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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Sinopse do enredo da Portela para o Carnaval 2020

GUAJUPIÁ, TERRA SEM MALES
IRIN-MAGÉ, PAJÉ DO MEL, POVOADOR DA TERRA...
Todas as bênçãos criadas por Monã (o Deus dos Tupinambás) trariam felicidade e contentamento a todos os seres aqui existentes, menos para o homem. Insurgentes, desprezaram tudo o que generosamente lhes fora dado. 
Então veio castigo. O fogo desceu do céu e destruiu tudo sobre a terra. Apenas um homem considerado digno, foi poupado desse castigo. Seu nome era Irin-Magé.
Levado para o céu ele, aos prantos, diz à Monã, que seria difícil viver sem pares nesse imenso vazio. Comovido, Monã reverte a situação, e fez com que caísse um dilúvio sobre a terra. Dessa água surgiram os oceanos, os rios e tudo frutificou.

Monã então deu a Irin-Magé uma mulher e o mandou de volta à terra para que ele a repovoasse de homens melhores. Dentre os muitos de seus filhos, nasce um em especial que se tornaria o grande guru, o grande karaíba, "o profeta transformador", chamado Maíramûana. 
Familiar de Monã, Maíramûana aprendera a arte de transformar tudo o que quisesse de acordo com sua vontade nas mais diversas formas; de animais, pássaros, peixes e para punir os homens podia transformá-los também ao seu bel-prazer. 
É esse profeta-guru, dotado de poderes e conhecimentos "sobrenaturais" e misteriosos, quem ensinará todas as práticas sagradas, todos os costumes e regras da organização social das tribos tupinambás.

BAÍA DA GUANABARA, NOSSO GUAJUPIÁ
Na beleza do azul sobre o azul, da calma sobre a calma, um curso d'água serpenteia num vale de árvores verdes e frondosas. Em todas as direções a floresta é vívida. Há que se fiar no Sol, a luz é cultivada e tudo deve ser puro.
O rio é o caminho, é sagrado, tem peixe, tem marisco. As aves voam livres, colorindo o céu. Temos tudo ao alcance das mãos, água de beber, de lavar e de se banhar. Vivemos a vida em profunda gratidão. 
 
Mas além de pescar e caçar, somos também bravos guerreiros. Só aqueles que enfrentam a morte, sem medo, conseguem encontrar o Guajupiá. Os tupinambás representavam esse paraíso como um lugar idílico, recoberto de flores e regado por um maravilhoso rio, em cujas margens viam-se enormes árvores. 
E nenhum lugar poderia ser tão igual ao imaginado Guajupiá eterno do que um Rio de Janeiro ainda virgem.

NASCE UM KARIÓKA
Chemembuira rakuritim, chemebuira rakuritim (eu já vou parir, eu já vou parir)
Nasce um tupinambá. Ritos e tradições serão seguidos, para assegurar bons presságios. Unhas de onça e garras de águia, ornarão o berço-rede, para garantir que nada de mal lhe aconteça.
Pai, mãe, filhos, avós, tios, tias, primos e primas, se juntam, está formada a maloca, a casa coletiva da tribo. Cercando o okara (grande quintal) se construía uma taba. Karióka, a lendária taba tupinambá, surge majestosa à esquerda da paradisíaca baía de kûánãpará. 
O homem roçava a terra, plantava, fabricava canoas, arcos, flechas, tacapes, adornos de penas multicoloridas. Eram eles os responsáveis pela segurança das tabas.  E sua função primordial era a de ensinar a arte da guerra.
Às mulheres eram imputadas as rígidas tradições e responsabilidades tribais, cuidavam da horta, participavam da pesca, fiavam algodão, teciam redes, fitas para amarrar nos cabelos e faixas para amarrar as crianças, trançavam cestos em junco e vime, manuseavam o barro para produzir panelas, vasilhas e potes, e mantinham acesos os dois fogos junto a rede do chefe da família. Eram o sustentáculo para o "esforço de guerra" tão cultivado pelo tupinambás.
Aos mais velhos cabiam repassar oralmente as histórias, o saber, e as orientações do que deveriam fazer, aos ainda jovens, em cada fase de sua vida.
Os tupinambás acreditavam que o homem tinha duas substâncias essenciais: uma eterna e outra transitória e ambas, o corpo e a alma, estavam ligadas.

KAÛÍ, A BEBIDA "DOS DEUSES"
Ó vinho, ó bom vinho! Jamais existiu outro igual!
Ó vinho, ó bom vinho! Vamos beber à vontade.
Ó vinho, ó bom vinho! Ó bebida que não dá preguiça!
Peguem as canoas! Passem pelas tabas: Yaberica – a aldeia maracanã, a do Peixe Pirá, de Eiraiá – atual Irajá - e sigam em direção a Guirá Guaçu, a aldeia com nome de águia, porque a festa vai começar!
Ao som dos marakás, chocalhos, flautas, tambores, pífanos e apitos, cantamos e dançamos. Tem que ter Kaûi ou Cauim, o licor sagrado que tanto adoramos.
A bebida era feita de raízes e frutos. As propriedades inebriantes do cauim eram feitas pela mastigação, e esse processo era considerado místico. Só mulheres, as mais lindas e puras, podiam participar da fabricação do "vinho". Os tupinambás eram beberrões respeitados e era difícil acompanha-los. A festa poderia durar vários dias, enquanto houvesse bebida, porque disposição para consumi-la não faltaria.
... E todas as bênçãos criadas por Monã (o Deus dos Tupinambás) trariam felicidade e contentamento a todos os seres aqui existentes, menos para o homem. Insurgentes desprezaram tudo o que generosamente lhes fora dado. Então veio castigo...
Um Rio teve que acabar para que outro pudesse surgir. Como poderia ter sido se tivéssemos respeitado a diversidade étnico-cultural? Enterrada no esquecimento perdemos o elo com nossa ancestralidade primal, perderam eles, perdemos nós, absurdamente privados dessa experiência!

GUAJUPIÁ, O QUE FIZEMOS DE TI?
Essa coisa do azul sobre o azul
Da calma sobre a calma
Às vezes me cansa
Às vezes me acalma
Eu paro no sinal vermelho
Uns pedem dinheiro
Uns sacam o revólver
Um outro expõe a própria dor
Segue o asfalto
Metálico fluxo
Saudade é um retrovisor
Há que se fiar no sol
E cultivar a luz
Purificar o pus
Deus
Assisto a vitória do bronco, do bruto
Do sínico e da servidão
Segue o espetáculo
No estádio, na tela
Parlamentam sobre a escrotidão
Mas quando a tribo invadir a floresta
Subindo até o Sumaré
E deslinkar a torre, o Brasil
Meu mano então como é que é?
Há que se firmar na terra
O teto, o viaduto
Proliferar o fruto
Deus
(em memória - letra da música "Palas Superficiais", de Marco Jabu)
"Cavam em busca de uma coisa
Que se sente estar profunda
Mas que foge e se esquiva
Quando chega à superfície
Uma coisa que está ali
Numa terra de mistério". 
(Poema de Joaquim Cardozo)                                                                                 
                                                              

Autores: Renato Lage e Márcia Lage

BIBLIOGRAFIA:
- O RIO ANTES DO RIO
Autor: Rafael Freitas da Silva
Editora: Babilônia
- O POVO BRASILEIRO
Autor: Darcy Ribeiro
Editora: Companhia de Bolso
- DUAS VIAGENS AO BRASIL
Autor: Hans Staden
Editora: L&PM Pocket Descobertas
- Documentário Guerras do Brasil.doc – episódio 1 (NETFLIX)
Criação: Luiz Bolognesi

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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Filme produzido no projeto Por Telas é premiado no Cine PE 2019

O filme "#Procura-se Mulheres", de Rozzi Brasil, foi premiado na categoria Melhor Edição de Som, na mostra competitiva de curta-metragens nacionais do Cine PE 2019. A lista dos vencedores da 23ª edição do tradicional festival foi anunciada no último domingo (4), no histórico Cinema São Luiz, no Recife.
Fruto da oficina de audiovisual Por Telas, realizada pela produtora Canto de Sala e pela Portela em 2018, o filme exalta a força feminina no samba e a luta contra o preconceito. Daniel Tavares, o Jack, integrante do corpo docente da oficina, foi o responsável pela captação de som direto, mixagem e edição de som do curta premiado com o Calunga.
Além de Rozzi Brasil, que foi aluna do projeto, "#Procura-se Mulheres" destaca, entre outros nomes, a cantora Ana Quintas, as compositoras Dayse do Banjo e Meri de Liz, a percussionista Ju Procópio e a ex-vereadora e presidente da Unidos de Vila Isabel, Lícia Maria Caniné, a Ruça.
Pioneiro no universo das escolas de samba, o projeto social Por Telas foi lançado em abril do ano passado, quando a Portela completou 95 anos. A primeira turma reuniu 22 moradores de Madureira e bairros vizinhos em aulas de cinema realizadas entre maio e agosto, duas vezes por semana, na quadra, sob o comando do cineasta André da Costa Pinto e idealização da produtora cultural Cecília Rabello.
Outros dois curtas foram produzidos: "Um Craque Esquecido", de Ygor Lioi; e "Do Samba ao Sample: Entre Duas Culturas", de Ruan Lucena. Desde então os três filmes já foram exibidos em universidades, cineclubes, eventos na Portela e até no Museu de Arte do Rio (MAR). Outra grande vitória do projeto foi a seleção de "Um Craque Esquecido" para a mostra competitiva do CINEfoot 2018.  
Confira a lista completa dos vencedores do Cine PE 2019:
PRÊMIO CANAL BRASIL
Melhor Curta - Apneia (PR)

PRÊMIO DA CRÍTICA - ABRACCINE
Melhor Curta Nacional - A Pedra (RS)
Melhor Longa-Metragem - Espero Tua (Re)Volta (SP)

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS
Melhor Filme - Coleção
Júri Popular - Mulheres de Fogo 
Melhor Direção - André Pinto e Henrique Spencer (Coleção)
Melhor Roteiro - André Pinto (Coleção)
Melhor Fotografia - André de Pina (Quando A Chuva Vem)
Melhor Montagem- Paulo Leonardo (Quando a Chuva Vem)
Melhor Edição de Som - Alisson Santos (Quando a Chuva Vem)
Melhor Direção de Arte - Jefferson Batista (Quando a Chuva Vem)
Melhor Trilha Sonora - Miguel Guerra (S/N (Sem Número))
Melhor Ator - Jorge de Paula (Coleção)
Melhor Atriz - Hermínia Mendes (Coleção)

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
Melhor Filme - (Cor de Pele)
Júri Popular - (Tommy Brilho)
Melhor Direção - Carlos Nigro (Casa Cheia)
Melhor Roteiro - Faustón da Silva (A Margem Do Universo)
Melhor Fotografia - Gustavo Serrate (A Margem Do Universo)
Melhor Montagem - Yan Motta (Cor de Pele)
Melhor Edição de Som - Daniel Tavares (Jack) (#Procuram-se Mulheres)
Melhor Direção de Arte - Helga Queiroz (Casa Cheia)
Melhor Trilha Sonora - Bruno Vieira Brixel (Vivi Lobo e o Quarto Mágico)
Melhor Ator -  Felipe Kannenberg (A Pedra)
Melhor Atriz - Petra Sunjo (A Margem Do Universo)

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS
Melhor Filme - Espero Tua (Re)Volta
Júri Popular - Abraço
Prêmio especial do Júri - Vidas Descartáveis 
Menção honrosa - atrizes Izabel Santos e Rita Maia, do filme Abraço
Melhor Direção - Marcelo R. Faria e Rafael Moura (Teoria do Ímpeto)
Melhor Roteiro - Eliza Capai (Espero Tua (Re)Volta)
Melhor Fotografia - André Carvalheira - Xará (Teoria Do Ímpeto)
Melhor Montagem - Eliza Capai e Yuri Amaral (Espero Tua (Re)Volta)
Melhor Edição de Som - Simone Petrillo e Cristiano Scherer (O Corpo é Nosso)
Melhor Direção de Arte - Patrícia Nunes (Um e Oitenta e Seis Avos)
Melhor Trilha Sonora - André Abujamira e Eron Guarnieri (Abraço)
Melhor Ator - Adriano Barroso (Teoria Do Ímpeto)
Melhor Atriz - Giuliana Maria (Abraço)
Melhor Ator Coadjuvante - Pablo Magalhães (Teoria do Ímpeto)
Melhor Atriz Coadjuvante - Débora Duarte (Um e Oitenta e Seis Avos)


Foto: Divulgação
Legenda: Rozzi Brasil, que foi aluna do Por Telas, exibe o prêmio conquistado no CINE PE 2019

Crônica - Velhas companheiras

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Grupo Portelamor
Porque amar é fundamental

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Carlos Monte e João Baptista Vargens são homenageados pela diretoria da Portela

Portelenses históricos e biógrafos da Velha Guarda Show, eles foram agraciados com a Medalha Natal da Portela
Carlos Monte e João Baptista Vargens, autores do livro "A Velha Guarda da Portela", foram homenageados pela diretoria da Portela, no último sábado (3), durante a tradicional Feijoada da Família Portelense. Os dois receberam a Medalha Natal da Portela das mãos do presidente Luis Carlos Magalhães. A honraria tem o objetivo de reverenciar portelenses que prestam relevantes serviços à Majestade do Samba.
Além dos membros da Velha Guarda Show, a cerimônia contou com a presença ilustre de Dona Neném, de 94 anos, viúva do compositor Manacéa e amiga de longa data dos homenageados. Lançado em 2001 pela editora Manati, o livro escrito por Monte e João Baptista conta a gloriosa história do grupo musical formado por bambas portelenses.
Sócio benemérito da Portela e pai da cantora Marisa Monte, o engenheiro Carlos Monte, que completou 80 anos no dia 25 de julho, entrou para a escola na década de 1970, quando foi convidado para ser diretor cultural. Atualmente ocupa uma vaga de suplente no Conselho Deliberativo.
Escritor, tradutor e pesquisador, João Baptista M. Vargens é professor titular e coordenador do Setor de Estudos Árabes da UFRJ. Além de extenso trabalho e publicações sobre cultura árabe, escreveu, ainda, livros sobre os compositores Candeia, Martinho da Vila, Monarco e Casquinha. Portelense desde sempre, foi um dos fundadores do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, em 1975, ao lado de Candeia e outras personalidades. 

Foto: Paulo Henrique Souza (PH)
Legenda: Carlos Monte e João Baptista Vargens posam no palco com a baluarte Dona Neném, viúva do compositor Manacéa 

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Sinopse do enredo da Portela será lançada no dia 07 de agosto

A diretoria da Portela vai realizar no dia 7 de agosto (quarta-feira), às 19h, na sede da Portelinha, o lançamento da sinopse do enredo "Guajupiá, Terra Sem Males". Na ocasião, os carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage farão a leitura do texto e uma pequena explanação sobre o tema aos compositores da Ala Ary do Cavaco.  
O evento é aberto ao público. A quadra histórica da Portelinha fica na Estrada do Portela 446, em Oswaldo Cruz. Em 2020, a Azul e Branco será a sétima escola a desfilar no Domingo de Carnaval, na Marquês de Sapucaí.
Serviço:
Entrega da sinopse do enredo de 2020 da Portela
Data: 7 de agosto (quarta-feira)
Horário: 19h
Local: Quadra da Portelinha
Endereço: Estrada do Portela 446, Oswaldo Cruz, em frente à Praça Paulo da Portela
Entrada franca

Foto: Divulgação
Legenda: Carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage vão participar do lançamento da sinopse na Portelinha, ao lado do presidente Luis Carlos Magalhães

Domingo tem programa especial na Rádio Manaceia

O samba dominando o mundo

O novo projeto da Portelamor atende aos vários pedidos de nossos seguidores, de reservarmos um espaço para o samba de outras agremiações em nossa Rádio Manaceia. O título do projeto alude ao enredo da Portela para o carnaval de 1935, quando a escola se sagrou campeã do primeiro desfile oficial, conquistando seu primeiro título. O projeto irá homenagear as escolas coirmãs, por sua luta em prol do samba, ritmo que nos une em torno de um ideal comum: a cultura brasileira e a cultura do carnaval.

Inaugurando nosso projeto, o Grêmio Recreativo Estação Primeira de Mangueira. Sua história vencedora confunde-se com a própria história do carnaval carioca e seu vínculo com a Portela remonta aos tempos de Paulo da Portela e seu grande amigo Cartola. Como escreveu e cantou Monarco, “Tremulavam juntas nossas bandeiras/ Velhas companheiras/ Semeando a paz/ Por isso que Portela e Mangueira/ Sempre foram as primeiras/ Dos idos carnavais”.

Para bebermos da chama do samba mangueirense, trouxemos canções de Cartola, Carlos Cachaça, Nélson Cavaquinho e Nélson Sargento, baluartes míticos da Estação Primeira. Os sambas-enredo antológicos da verde e rosa completam nossa homenagem, ao lado de obras que exaltam a história e a importância dessas duas agremiações que juntas respondem por metade dos títulos dos carnavais cariocas. Salve a verde e rosa, salve a Estação Primeira de Mangueira!



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