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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Portela e Mangueira enfrentam crises a 71 dias do desfile 

Por Fábio Silva

A 71 dias dos desfiles, as duas escolas de samba mais tradicionais do Rio, Portela e Mangueira, enfrentam crises políticas e financeiras que já põem em risco o desempenho das duas agremiações na Sapucaí em 2013.

Na azul e branco, atrasos nos pagamentos de funcionários e de contas forçaram o cancelamento de ensaios, levaram a ameaças de pedidos de demissão e prejudicam o ritmo de trabalho no barracão. Para agravar, problemas nas prestações de contas de carnavais anteriores geram impedimentos para captação de recursos, como os da Lei Rouanet. Já na verde e rosa, o processo eleitoral que definiria o presidente foi anulado pela Justiça, enquanto a confecção de alegorias e fantasias segue a passos lentos.

Como publicou a coluna de Ancelmo Gois na quinta-feira, a situação de Portela e Mangueira - as únicas que participam dos desfiles principais desde a primeira disputa, em 1932 - já preocupa até a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Na semana passada, adiantou o colunista, foi dito numa reunião de dirigentes do Grupo Especial que, das duas agremiações, "só saem más notícias".


A escola de Madureira, que completa 90 anos em 2013, ainda não conseguiu prestar contas do desfile de 2012. Por isso, não pode obter novos recursos pela Lei Rouanet. Além disso, a Portela foi incluída no Cadastro de Entidades Privadas Sem Fins Lucrativos Impedidas (Cepim), divulgado pela Controladoria Geral da União (CGU), também por irregularidades em prestações de contas, referentes a recursos de R$ 525 mil do Ministério do Turismo no carnaval 2006, sobre a Marca Brasil, e de R$ 1,8 milhão recebidos do Ministério do Esporte para o carnaval 2007, sobre os Jogos Pan Americanos no Rio. Em ambos os casos, a escola consta como inadimplente. No caso de 2007, o Ministério do Esporte afirma que a prestação foi reprovada porque a Portela não apresentou documentos que atestassem a aplicação regular da verba.


Quadra sem luz


Com isso, de acordo com a CGU, a escola não pode realizar novos convênios ou contratos com a esfera federal. No entendimento da controladoria, fica ameaçada até a verba de R$ 1 milhão (cerca de 20% da receita das escolas, sem contar patrocínios) que cada agremiação do Grupo Especial normalmente recebe da Petrobras. Em dificuldades financeiras, um ensaio de bateria na quadra foi cancelado porque a luz tinha sido cortada, no início do mês. A dívida de R$ 22 mil já foi paga.


À Cedae, segundo consulta no site da companhia, a escola deve R$ 282 mil referentes a sua quadra em Madureira, reformada com verbas de R$ 3,1 milhões da prefeitura do Rio. No domingo passado, um ensaio de rua foi cancelado, por atraso de dois meses no salário do intérprete Gilsinho e dos demais integrantes do carro de som. O carnavalesco Paulo Menezes, por exemplo, tem dois meses de salários atrasados. Ele afirma, porém, que numa reunião esta semana com o vice-presidente da agremiação, Nilo Junior, filho do presidente Nilo Figueiredo, foi pedido "um voto de confiança", porque os pagamentos seriam feitos.

- Realmente a Portela vive um período conturbado, o que atrasa o barracão. Entendo as dificuldades. Mas é preciso se levar em conta que o carnaval tem etapas que precisam ser cumpridas. Assino o carnaval, não assino cheque - disse ele em relação à falta de dinheiro para seguir o planejamento de confecção do desfile. - Não poderia abandonar o barco. Estaria deixando para trás o sonho de uma torcida apaixonada e meu também, que sempre quis fazer o carnaval dos 90 anos da Portela.


A situação preocupa até figuras renomadas da agremiação, como o compositor e cantor Monarco:


- Algo de errado está acontecendo. O presidente deve vasculhar a escola para descobrir.


Muitas das críticas recaem sobre o presidente Nilo Figueiredo. Torcidas organizadas como a Guerreiros da Águia e segmentos da escola têm se mobilizado. E apontam o nome do PM Marcos Falcon como um dos possíveis concorrentes da oposição para a eleição de maio de 2013. Falcon - que chegou a ser acusado de integrar milícias, mas que foi absolvido este ano - ainda não se lançou candidato.


Nos bastidores é discutida a convocação de uma assembleia geral extraordinária para discutir o futuro portelense. Um quinto dos sócios poderia convocar a reunião, que precisaria da presença de dois terços deles. Mas a oposição diz não saber quantos são os sócios habilitados a votar. Até uma notificação extrajudicial foi feita solicitando informações à escola.


Vice-presidente da Portela, Nilo Júnior admite que a escola passa por dificuldades, e as atribui à demora na entrada de aportes financeiros no caixa. Quanto à prestação de contas do ano passado, ele afirma que a administração tenta fechá-la. E tem esperança de, ainda para este carnaval, poder captar dinheiro pela Lei Rouanet. Ele diz desconhecer os impedimentos para receber verbas federais. Sobre contas e salários atrasados, afirma que estão sendo pagos:


- Vamos sanar a dificuldade e reverter a situação. Num momento desses, contamos com a compreensão da nossa mão de obra.


Já na Mangueira, desde abril a situação é de indefinição. O processo eleitoral da escola foi parar na Justiça após uma série de acusações envolvendo as três chapas concorrentes, duas de oposição e a da reeleição do atual presidente Ivo Meirelles. Novo pleito só deve acontecer no fim de fevereiro.


A escola levará para a Avenida um enredo sobre Cuiabá, pelo qual deve receber um patrocínio de R$ 3,6 milhões. Mas segue com os portões do barracão fechados, na Cidade do Samba. Poucos funcionários são vistos em atividade e os carros alegóricos do último desfile ainda não foram desmontados para a confecção dos novos. Segundo fontes da escola, o cronograma está atrasado e a agremiação deverá criar turnos extras de trabalho para conseguir concluir seu projeto. Os salários dos funcionários chegaram a atrasar, mas, na semana passada, Ivo Meirelles teria reunido sua equipe para acertar os pagamentos. A direção da escola não se pronunciou até o fim da noite de quinta-feira.


Da Coreia à Alemanha em quatro dias de desfiles


A Marquês de Sapucaí vai receber, no próximo carnaval, 31 escolas em quatro dias de desfiles. Além das 12 escolas do Grupo Especial, no domingo e segunda-feira; outras 19 agremiações do novo Grupo de Acesso A irão se apresentar nas noites de sexta-feira e sábado. O grupo, do qual apenas uma escola subirá para o Especial, conta com agremiações tradicionais como Império Serrano, Viradouro e Estácio de Sá, além de novatas como Sereno de Campo Grande e União do Parque Curicica.


Nos quatro dias de desfile, enredos inusitados prometem divertir e emocionar. No Grupo Especial, apenas duas escolas terão temas que não são patrocinados: Portela, que vai cantar o bairro de Madureira, e União da Ilha, que vai homenagear Vinícius de Moraes.


A atual campeã, Unidos da Tijuca, fará um desfile sobre a Alemanha. Por sua vez, a estreante Inocentes de Belford Roxo, que abre o desfile de domingo, falará da Coreia do Sul.


Já a Mangueira, a Imperatriz e Vila Isabel também preferiram falar sobre Cuiabá, sobre o Pará e sobre o interior do Brasil, respectivamente.


Haverá outros temas curiosos. Beija-Flor cantará os cavalos, e Grande Rio falará dos royalties do petróleo. A Mocidade levará o Rock in Rio para o sambódromo, o Salgueiro mostrará a busca pela fama, e a São Clemente cantará telenovelas de sucesso.


* As informações são do Jornal O Globo/ Assinam a matéria, os jornalistas Diego Barreto e Rafael Galdo 


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Após reuniões, dirigente pede voto de confiança e ganha trégua na Portela

Por João Santoro
 
Trégua na Portela. Após duas reuniões com segmentos da escola, na terça e quarta, o vice-presidente da agremiação, Nilo Mendes Figueiredo Junior, filho do presidente Nilo Figueiredo, ouviu dos representantes os problemas que estão atingindo a azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira. Após os encontros, o dirigente pediu um tempo curto para solucionar todas questões levantadas e disse que conta com um voto de confiança, que foi dado pelos portelenses presentes.

Em águas mais calmas, o intérprete Gilsinho participou normalmente do ensaio de quadra, que aconteceu na noite de quarta no Portelão.


'Desejo que tudo se resolva', diz intérprete Gilsinho

Portela vem enfrentando alguns problemas no ano de 2012 e, com a aproximação do desfile de 2013, torcedores têm ficado apreensivos.

Depois de episódios como protestos em redes sociais contra diretoria, barracão sem luz e um suposto cancelamento do ensaio de rua por falta de carro de som, o ambiente da escola não é dos melhores.

Em conversa com o SRZD-Carnaval, o intérprete oficial da agremiação, Gilsinho, comentou sobre atual fase azul e branca de madureira e Oswaldo Cruz.

"Não posso dar uma posição específica, mas o meu desejo é que tudo se resolva. estamos há dois meses do carnaval e precisamos nos preparar para fazer um grande desfile", opinou.

A Portela, que tem o enredo "Madureira... onde o meu coração se deixou levar", desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Menezes, será a sexta escola a desfilar no domingo de Carnaval.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Comissão aprova proposta que torna fixa a data do carnaval

A Comissão de Educação e Cultura aprovou no dia 21 de novembro o projeto de lei que estabelece uma data fixa para o feriado de carnaval, sempre na primeira terça-feira de março, separando a data do calendário religioso. Atualmente, o carnaval é um feriado móvel, que ocorre 40 dias antes da Páscoa. A proposta ainda será analisada em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A proposta do deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ) também legaliza o feriado da terça-feira de carnaval. Embora adotado por tradição, o dia não consta na Lei 662/49, que estabelece os feriados nacionais.


Segundo o relator na comissão, deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), a fixação da data do feriado permitirá maior eficiência e condições profissionais dos setores envolvidos no evento. - A fixação da data facilita que turistas brasileiros e estrangeiros se programem antecipadamente para participar do evento - disse. O deputado foi eleito por Pernambuco, onde é realizado um dos maiores carnavais do mundo.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Portela atrasa salários, enfrenta protestos e não começou a preparar desfile

Por Fábio Silva

A maior vencedora do carnaval carioca corre risco de novamente passar por sérios problemas na Avenida. A Portela passa por problemas financeiros e não está em dia com o pagamento de seus funcionários: todos os setores da escola, dos faxineiros à equipe de segurança, passando pelo intérprete Gilsinho e pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira, não recebem salário há dois meses, e os responsáveis pela elaboração de fantasias e carros alegóricos ameaçam parar. A informação foi confirmada por diversos setores da escola.

O atraso já é visível na Cidade do Samba. Enquanto as vizinhas Grande Rio e União da Ilha têm carros com as bases prontas e esculturas finalizadas, a Portela não terminou o desmonte das alegorias do último carnaval. Uma equipe do EXTRA visitou o barracão. Somente duas pessoas trabalhavam nas ferragens. À noite, segundo integrantes, os profissionais abandonaram o barracão.

A crise afetou também os ensaios de rua da escola. No última domingo, a agremiação cancelou o evento. O motivo: Gilsinho, intérprete oficial, e os demais cantores se recusaram a comparecer em protesto pela situação.

Nesta quarta-feira, há outro marcado, mas nada garante que vá ocorrer. Gilsinho, intérprete, ficou dois meses sem receber: "Minha parte está sendo colocada em dia, mas meu pessoal de apoio não recebeu

A assessoria da Portela confirmou os problemas financeiros, disse que os pagamentos serão "resolvidos até o fim da semana" e afirmou que o atraso não assusta: "Já cansamos de fazer carnaval em 30 dias", disse o assessor Enildo do Rosário.

Turbilhão de problemas na azul e branco

Crise política

Nilo Figueiredo, presidente da Portela, não comentou os salários atrasados. Ele enfrenta forte resistência dentro da escola. O líder da oposição é o sargento da PM Marcos Vieira de Souza, o Falcon, que organiza feijoadas mensais em Oswaldo Cruz, sempre no primeiro domingo do mês. Falcon vai ser candidato nas próximas eleições, em maio.

Sem crédito

A Portela passa por sérios problemas de fornecimento de material. Segundo integrantes da escola ouvidos pelo EXTRA, fornecedoras ameaçam negar crédito à agremiação a partir de janeiro.

Casal demitido

As dificuldades financeiras ficaram escancaradas após a demissão de Rogerinho e Lucinha Nobre, um dos casais de mestre-sala e porta-bandeira mais premiado da Sapucaí. Para o lugar deles, foram contratados, com menores salários, Robson e Ana Paula.

* As informações são do Jornal Extra 


sábado, 24 de novembro de 2012

NOTA DE PROTESTO
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'Vou levar duas surpresas para a Avenida', garante Márcio Moura

Por Patrícia Raposo

Apaixonado pela arte de coreografar comissões de frente para o "Maior Espetáculo da Terra", Márcio Moura está empenhado em um novo desafio: dividir sua dedicação e criatividade entre as escolas de samba Portela e Porto da Pedra. Em conversa com o SRZD-Carnaval, Márcio relatou sua intensa rotina de ensaios e comentou sobre os respectivos enredos.
Velho conhecedor dos caminhos por onde passam os processos coreográficos que são apresentados em um desfile, ele, que já coreografou alas, alegorias e até mesmo integrou comissões, conduz este corrido período com maestria.
"No início, pensei em trabalhar com os mesmos profissionais nas duas escolas. No entanto, resolvi optar por grupos diferentes para que ninguém ensaiasse além da conta e chegasse cansado nos desfiles, já que treinamos intensamente até às vésperas do Carnaval", ressaltou.
"Tenho dois grupos diferentes para cada escola que ensaiam duas vezes por semana, cada. Não faço distinção entre as agremiações ou aos grupos que elas pertencem. As duas comissões são compostas por bailarinos que já trabalham comigo. O trabalho é feito igual", alertou.
Portela
"Gostei muito do enredo da Portela. Tem muita gente do bairro que não sabe toda a história da escola, enquanto outras, moram longe de lá e sabem até mais do que muitos moradores do local. Acredito que é um grande momento para Madureira se reencontrar com a Portela e mostrar que lá ainda é a capital do samba", enfatizou.
"O samba-enredo escolhido é poético, tem uma cadência boa até mesmo coreograficamente falando. A Portela está com uma equipe muito boa de coreógrafos, para as alas e alegorias também. Este samba veio para somar, para dar o pontapé inicial para um grande Carnaval", completou. 
Porto da Pedra
"Apesar das dificuldades que a escola passou recentemente, nada abalou meu trabalho, até porque o enredo já estava definido. Continuamos ensaiando normalmente e iniciamos a fase de passar a coreografia na Marquês de Sapucaí", revelou.
"A Porto deu umas três balançadas mas não caiu. Toda a equipe está muito animada, o carnavalesco Fabinho é um ótimo profissional, meu amigo pessoal, sei que estamos em boas mãos", opinou.
Carnaval 2013
"Quero dizer para as comunidades das duas agremiações que, independente de suas gestões, o trabalho tem que continuar. Somos fortes, vamos apresentar um trabalho de ponta, com inovação. Apresentaremos em 2013, apresentações à altura do Carnaval carioca, à altura das comunidades que representamos. Vou levar duas surpresas para a Avenida", garantiu.