Translate

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Presidente da Portela homenageia Monarco em artigo

Por Marquês da Folia

Salve! Salve!

Luis Carlos Magalhães, presidente da Portela, homenageou o sambista Monarco, em um artigo, publicado nesta quinta, data do aniversário de 84 anos do compositor portelense.

Confira o artigo em homenagem à Monarco:

“Comecei a ser Portelense na casa da Tia Surica. Mas sou Portelense porque Monarco me fez assim. Na verdade, sou Portela por causa de Paulo, mas, repito, foi Monarco que me fez assim. Ainda amamentado pela mãe Unidos do Cabuçu, ainda seduzido pela amante Mangueira, menino que era, ouvi pela voz incomparável de Monarco as histórias de nossa querida escola e de seus principais baluartes.

Era assim como se ele, Monarco, assumisse esse mister, não sei se voluntariamente ou não. E o ouvia falar do livro de nossas histórias, de Paulo, de Paulinho, de Claudionor, Caetano e Rufino. De Natal. Depois veio Cristina Buarque, Marília Barbosa, mas aí já é outra página daquele livro.

E fico hoje me perguntando: o que faz de um sambista um artista maior? Maior de seu tempo, de sua gente… Tinhorão dizia que Paulo era o maior porque não era só compositor, falava em nome do samba, representava o samba e sua gente. Cartola repetia e dizia para Monarco: ”Eu fiz muito pela Mangueira, mas Paulo fez por todos nós”.

De lá para cá, a partir do incomparável primeiro LP, aquele amarelo com capa do Lan, nunca mais parei de ouvi-lo. Nunca mais parei de ouvir as coisas daquele livro de tantas páginas belas, com conquistas a valer.

Como era bom, já naquele tempo, ouvi-lo tão orgulhoso ditar que … se fosse falar da Portela, hoje não terminaria. Mas será que isso basta para fazer dele um sambista de tamanha estatura? Fico me perguntando de que forma Monarco será conhecido, de que forma entrará para a história para as novíssimas gerações daqui a 200 anos, já com paixões amornadas, com o juízo sereno do julgamento do tempo?

Um sambista pode ser celebrizado por suas composições, como Wilson, Geraldo e Noel (salve João Nogueira). Pode também por grandes sambas-enredo, como Silas, Anescar, Manaceia, Jurandir… E até por projetar sua escola sem fazer nenhum samba enredo, como o formidável Zé Ramos da Estação Primeira. Outros por estarem aí compondo e cantando por suas escolas defendendo a bandeira do samba.

Mas há os sambistas que transcendem suas escolas, representam a marca da cultura de seu país, de sua gente. E mais… Saem à luta , guerreiam, enfrentam, caem dentro pra valer na defesa institucional de sua escola, longe do som das baterias, afastados dos microfones.

Além de todos os atributos que Monarco exibe para formar no pavilhão dos grandes sambistas de seu tempo, há um especial que o marcará ao lado de Paulo e Natal, de Candeia, tenho certeza.

Ao ver sua escola mergulhar no derrotismo e na chacota, ao ver sua bandeira tremular tímida, opaca, partiu para o enfrentamento político em busca de uma vitória improvável que trouxesse a Portela para o trilho de sua história, aquela mesmo, daquele mesmo livro… de tantas páginas belas.

E assim, o agora nosso comandante, partiu para as rádios, para os jornais. Aliou-se a um grupo coeso e determinado e deu-lhe estatura. Emprestoulhe sua dignidade com sambista, como chefe de família, sua postura como homem respeitado em todas as camadas sociais, em todas as esferas políticas. Em todas, mas todas mesmo!, rodas de samba do Brasil.

Foi para a luta como comandante de honra, colhendo de tão árdua batalha, a retumbante vitória cantada por ele em seu primeiro samba para sua escola querida. E agora Monarco estará lá, em cima daquele palco. Posso imaginar o brilho de seus olhos miúdos. A olhar toda aquela massa azul e branca que o admira tanto como se a dizer a ele: valeu a pena comandante, estamos aqui felizes para dizer isto bem alto,cantando cada um de seus sambas sem saber qual deles é mais bonito e melhor nos representa.

Sim, Monarco estará lá, no alto daquele palco. E receberá muitos presentes. Colherá muitas emoções. Ouso dizer, afirmar mesmo, que a maior de todas será receber jovens portelenses, filhos seus que são, vindos de toda parte do Brasil para homenageá-lo. De São Paulo, de Minas, do Sul, cada um com seu grupo, Batalhão de Sambistas, Terreiro de Mauá e tantos outros, cantando sambas seus que até a memória não mais registra.

E Monarco olhará para uma das paredes da quadra de sua escola e lerá orgulhoso: “AQUI DEU FRUTOS A ÁRVORE QUE A VELHA GUARDA PLANTOU”. E já depois, festa acabada, lembrará de tudo. E verá que aqueles frutos continuam brotando por aí, pelo Brasil afora, não mais só em Osvaldo Cruz e Madureira, mas em todos os cantos do país.

E assim, ouso dizer, Monarco será lembrado lá na frente, no futuro. Um grande artista de sua gente, de seu tempo, que plantou sementes de futuro, sementes de samba por aí. E muitas histórias se contarão sobre ele. Ele, o sambista que contava histórias, que contou tantas histórias bonitas pra gente… e nos faz estar aqui hoje olhando pra ele com tanto orgulho…”


Nenhum comentário:

Postar um comentário