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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Paulinho da Viola visita barracão da Portela

Rio - Grande homenageado do enredo da Portela, Paulinho da Viola visitou o barracão da escola, na Cidade do Samba, nesta quinta-feira. Bastante animado, o cantor conversou com o carnavalesco Paulo Menezes e conheceu as alegorias que a escola levará para a Sapucaí.

Com o enredo "Madureira... onde o meu coração se deixou levar", a Portela será a última escola a desfilar no domingo de carnaval. Falar sobre o bairro fará a escola azul e branca retratar diversos assuntos que se misturam com sua própria história. Baile de charme, Viaduto Negrão de Lima e Império Serrano são alguns dos diversos tópicos que serão abordados.



Portela entra na Sapucaí com tudo em dose dupla

Primeiro setor vai retratar desfile de 1970 com uma bateria sem som


Rio - Além da Mangueira, a Azul e Branca de Madureira também virá com duas baterias neste Carnaval. Só que a da Portela não terá som. O primeiro setor da agremiação, que vai retratar o desfile campeão de 1970 com o enredo ‘Lendas e Mistérios do Amazonas’, terá também duas comissões de frente, duas alas de passistas e assim por diante.
 
“Vamos começar o enredo com homenagem ao Paulinho da Viola, que completou 70 anos. Ele diz que o Carnaval de 70 foi um dos momentos mais emocionantes de sua vida, pois a arquibancada começou a cantar ‘Foi um rio que passou em minha vida’, e aí nasceu o esquenta da escola.
Vamos começar nosso Carnaval com ele lembrando desse momento e o desfile da Portela nos levando para Madureira”, explicou Menezes. À frente da bateria desse setor estará Ubirajara Vieira Araújo, o Mestre Bombeiro, o mestre de bateria mais antigo em atuação, que está no posto desde 1975.
 
Fonte: O Dia na Folia

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Portela da ‘presidenta’ Surica quer bater a Tijuca

Por Fernanda Alves

 

Rio -  A Portela anuncia: pretende dar um sacode na Unidos da Tijuca neste Carnaval. A Azul e Branca, que este ano homenageia Madureira, vai levar para a Avenida um jogo de basquete de rua — tradição embaixo do viaduto do bairro — entre o time da Águia e o do Pavão, animal símbolo da escola da Tijuca. Mas o placar já está definido, 23 x 3 para o time de Madureira, lembrando seus 23 títulos no Grupo Especial do Carnaval contra os três da rival.

A Portela quer mostrar que Madureira é a terra do samba. E como toda pátria precisa de presidente, a escola garante que também tem a sua ‘Dilma’: Tia Surica.

“A brincadeira do basquete quer mostrar que, como a Unidos da Tijuca é a última campeã do Carnaval, é a escola a ser batida. Quem quer ser campeã tem que ganhar dela. Vamos mostrar nossa tradição, lembrando que a Portela tem muito mais títulos que a escola do Pavão”, alfineta Paulo Menezes, carnavalesco da escola.

Mas ele garante que o jogo não é uma provocação: “Queremos mesmo é fazer uma brincadeira, como era o Carnaval de antigamente. Não vamos criar nenhum clima ruim entre as escolas, é uma ala irreverente. Eu sou amigo do Paulo Barros, da Tijuca”.

Ao todo, serão 16 homens em quadra, oito em cada time. A tabela virá em um tripé. Ao redor, 32 mulheres estarão fantasiadas de animadoras de torcida. O jogo contará inclusive com dois treinadores e um árbitro. “Nunca desfilei. Estamos muito animados em participar, ainda mais representando nosso esporte”, contou Orlando Correa, de 31 anos, jogador de basquete de rua há 10 anos.

Um cafofo especial no último carro
A integrante da Velha Guarda virá como destaque no último carro, no espaço denominado ‘Cafofo da Surica’. “Fiquei emocionada com a homenagem. Sempre falei que, se quisessem fazer algo para mim, que fizessem enquanto estou viva”, conta Surica.

Mesmo ocupando um alto cargo na Avenida, não virá fantasiada de Dilma no dia. “Vou vir usando as cores da minha escola, azul e branco. Ao lado dela no carro estará Paulinho da Viola.


 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Menino-prodígio das esculturas brilha no barracão da Portela

Por Hélio Ricardo Rainho

Há quatro anos atrás, Max Müller era apenas um rapaz de 18 anos preocupado com o alistamento militar e com os esboços de desenhos de mangás e HQs que o divertiam. Até que uma intervenção de seu pai, que o apresentou a amigos ligados ao barracão da Portela, mudou sua vida. Max conheceu Lael, renomado escultor da escola, e foi aprender a tornar concretas as criações que antes habitavam folhas de papel.
 
Hoje trabalhando como escultor na Cidade do Samba, só recebe elogios. O principal deles vem do carnavalesco Paulo Menezes que não mede esforços para elogiar seu pupilo. "Esse é um garoto que estou carregando debaixo do braço. Tem uma visão artística muito interessante, é um grande talento. Estamos investindo nele" - revelou.
O jovem escultor com nome alemão e apelido de craque (muitos o chamam de "Neymax", numa associação com o craque de futebol cujo penteado ele copia) é um autêntico intuitivo. "Procuro sempre aprimorar meu trabalho, aprender, caprichar nos detalhes. Mas nunca estudei nada disso. Vim do desenho e aprendi a esculpir com o Lael. Descobri que tenho esse dom" - explicou, de forma contida e simples, bem a seu jeito. "Aproveitei a experiência de desenhista e o conhecimento de escala, noção de espaço e volume para aplicar ao esculpir as peças".
Para Max, essa é uma arte diferenciada. Sobretudo pelo desafio de se esculpir obras para um tipo de apreciação diferente: não em galerias, mas no gigantismo que requer o desfile, numa avenida. E ainda por cima ter que assegurar uma boa nota no julgamento:
"A escultura na avenida é vista de longe, sob diferentes ângulos. Ela tem perfil e perspectiva. O principal, a meu ver, é sentir-se à vontade olhando para ela de todos os ângulos. Se você olha de um lado, ela te parece bem, mas não causa o mesmo efeito olhando de outro, há um desequilíbrio...precisa melhorar" - teoriza, revelando seu lado perfeccionista.
Max destaca os detalhes de composição das esculturas, como a pesquisa das expressões dos personagens, que devem estar de acordo com o que eles estão representando dentro do enredo. E lembra que a confecção das peças requer etapas, porque algumas precisam encaixar em outras, dar espaço para os destaques que ocuparão os carros etc.
"Às vezes a gente atravessa a noite fazendo um trabalho. Mas eu costumo dizer que, quando se demora muito diante da peça, a gente a fotografa e perde o sentido crítico. O ideal é você sair, voltar depois. Quando você retorna e revê a peça, tudo muda. Fica mais fácil encontrar imperfeições e fazer os retoques." - sentencia, mostrando que a pouca idade em nada o impede de filosofar sobre sua arte.
GALERIA SRZD: Veja, a seguir, algumas fotos de esculturas desenvolvidas no barracão da Portela
 
 
 


Palavrões no lugar dos sambas em CD das escolas

Por Vania Cunha

Nomes das agremiações viram expressões de cunho sexual em programa de computador

Rio - O Carnaval foi, ao longo de décadas, associado à festa movida pelos ‘prazeres da carne’. E quem não conhece a folia carioca, ou não entende absolutamente nenhuma palavra cantada pelos intérpretes, poderia realmente acreditar na máxima ao ouvir o CD Sambas Enredo 2013 pelo computador. No programa de áudio mais utilizado por internautas, o Windows Media Player, a lista das músicas que aparece como sendo a dos sambas das agremiações do Grupo Especial é, na verdade, uma relação de frases e expressões de cunho sexual, todas em inglês.

O DIA testou quatro CDs originais — dois comprados em lojas, um recebido diretamente da gravadora, e outro que um turista ganhou como brinde ao comprar pacote de viagem para passar o Carnaval no Rio. Em todos, a confusão se repete: as músicas tocam normalmente, mas as legendas não remetem aos sambas, só a expressões que envolvem sexo e ‘zoação’. Além do equívoco, há um ícone para comprar o disco que aparece na imagem, da banda ‘Simpler Machine’, que não é o das agremiações cariocas.

“Tomei um susto. Depois de reunião com funcionários da empresa e investidores, coloquei o CD no laptop para animar o coquetel servido. Todos começaram a rir quando viram a lista de músicas no telão, acharam que era brincadeira. Fiquei tão constrangida que saí da sala”, contou a corretora de imóveis Deusa Brito, 50 anos. “Não sei qual foi o problema, mas é um absurdo. Imagina a imagem que passa para os turistas lá fora?”.

O diretor artístico do álbum, Zacarias Siqueira de Oliveira, informou que o material bruto da gravação foi entregue diretamente à gravadora que fabricou os discos. “Pedimos que eles verificassem o que houve para tomarmos medidas cabíveis”.

Neguinho da Beija-Flor demonstra revolta: ‘Maldade’

Ícone do Carnaval carioca, o cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor disse que ficou revoltado quando soube da confusão na identificação dos sambas. O intérprete oficial da Azul e Branca de Nilópolis acha que o caso pode até ir parar na Justiça.

“Quem está fazendo essa maldade? É um verdadeiro absurdo. A gravadora deveria descobrir quem fez isso e processar. As duas coisas que o Brasil mais ama são samba e futebol, e isso desmoraliza o que temos de mais bonito, o maior espetáculo do planeta, que é o nosso Carnaval”, criticou.
A Universal Music, que produziu o CD, informou através de nota que não foi responsável pelos ‘erros de identificação do software’. E emitiu uma explicação:

“As listas de títulos que aparecem em programas de computadores não têm relação com as informações enviadas para a fábrica pela gravadora. Estes programas leem os códigos ISRC gravados nos discos e buscam em provedores particulares informações sobre lista de títulos e capa de discos em suas respectivas bases de dados... A Universal Music não envia qualquer informação para estes agentes, que trabalham de forma independente”, diz o texto.

A lista que aparece no programa de computador no lugar dos nomes das escolas de samba, parece ter saído do CD ‘2013’, de uma banda de heavy metal chamada ‘Simpler Machine’.

Portela terá Zé Pelintra interpretado por ator evangélico

Há muito que o carnaval deixou de ser a "festa da carne" e passou a ser a "festa da diversidade". Num caso que vem se repetindo há alguns anos, os evangélicos têm se multiplicado no meio do samba.

Mas nenhuma novidade poderia ser mais surpreendente do que a que será apresentada pela Portela. Selecionado e dirigido pelo coordenador de passistas da escola, Valci Pelé, o ator e dançarino Vinícius Villiger interpretará o personagem Zé Pelintra, entidade lembrada pelo enredo da escola por ser padroeiro do Mercadão de Madureira.

"Sou evangélico, frequento minha igreja, tenho minha fé. Mas não vou confundir as coisas. Li a pesquisa feita pelo Valci sobre o tema. Quero fazer um trabalho de composição de personagem. Para mim, é um desafio artístico como qualquer outro!" explica o jovem Vinícius, que também é professor de dança de salão. Além da Portela, ele será um dos integrantes da comissão de frente da Inocentes de Belfort Roxo.

A apresentação de Vinícius promete uma surpresa especial, dentro da ala onde outros 100 malandros, todos coreografados e dirigidos por Valci, constituirão a Ala do Zé Pelintra.
"O grupo tem ensaiado desde agosto, na quadra e na avenida. Após nos debruçarmos em estudos específicos e uma série de pesquisas, fizemos uma preparação que envolve performance, laboratórios de dança do samba, percepção motora e equilíbrio. Convidei o Vinícius para interpretar o personagem porque precisava de alguém técnico para esse trabalho" - explica Valci.

Reconhecendo o desafio de representar um personagem de destaque no desfile de uma escola de samba do porte da Portela, Vinícius tem se empenhado para honrar a preferência e dar conta do desafio. E diz estar preparado para rebater as críticas dos religiosos que vierem a condenar a sua participação:
"É meu trabalho. Não tem conotação religiosa pra mim. Não muda o que eu creio. Estou preocupado com o desafio, não com essa discussão" - minimiza a questão.
Como diria Candeia e como diriam os pastores evangélicos... "na paz do Senhor"!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

No limite do cronômetro

Por Caio Barretto Briso

A três semanas do desfile, Mangueira e Portela, as maiores campeãs do Rio, têm o desafio de recuperar o atraso nos barracões para não decepcionar na avenida.

Dois versos de sambas notórios —"Mangueira, teu cenário é uma beleza" e "Portela, eu nunca vi coisa mais bela" — perigam ficar sem sentido neste Carnaval. A três semanas do desfile na Marquês de Sapucaí, as duas escolas mais tradicionais do Rio correm contra o relógio para pôr de pé seu cortejo. Falta pouco tempo e ainda há muito a fazer em seus barracões na Cidade do Samba, onde fica a linha de montagem de alegorias e fantasias. Cada uma delas levará à Passarela do Samba 4 000 integrantes e oito carros, em tese, de encher os olhos. O problema é que, a esta altura, não há nenhuma alegoria pronta e as fantasias também sofrem com o descumprimento de prazos. Até a semana passada havia pouco material armazenado, o que sugere que nem tudo está comprado, aumentando o clima de apreensão nos barracões, com movimentação diuturna nesta reta final. Dificilmente Portela e Mangueira escaparão ilesas do atraso. "A escala de exigência de decoração carnavalesca é desumana, pois sua linguagem é a opulência, o brilho e o detalhe", afirma o carnavalesco e comentarista Milton Cunha. "Se as alegorias ainda estão no ferro, o projeto original certamente será mutilado."

Com sua parte artística cada vez mais suntuosa e esmerada, as escolas cariocas precisam ter fluxo de caixa para começar seus preparativos com antecedência. Porém, salvo raras exceções, as administrações são amadoras e nada transparentes, o que leva as escolas a viver à base de improvisos e medidas paliativas. Cada uma das doze integrantes do Grupo Especial teve a receber nesta temporada uma verba em torno de 5,5 milhões de reais, vinda de variadas fontes. O aporte inicial ocorreu em agosto, quando entrou a primeira das cinco parcelas dos direitos de TV. Dois meses depois, elas começaram a receber a cota referente à comercialização de ingressos. Só em janeiro, já em cima do Carnaval, é que costuma chegar o dinheiro da Petrobras, via Secretaria Estadual de Cultura, e da prefeitura. Para piorar a situação neste ano, a estatal reteve a verba de 1 milhão de reais que dá a cada escola porque a Verde e Rosa não prestou conta de repasses anteriores.

Sem um bom planejamento, a fonte de renda seca e resta às escolas ficar na mão de um patrono endinheirado ou iniciar mais tarde seus trabalhos. Com o cerco do Ministério Público e da Polícia Federal à turma da contravenção, a primeira opção ficou mais difícil. "Somos uma fábrica de Carnaval que precisa de recursos. Quando eles demoram, o cronograma atrasa", admite o vice-presidente da Portela, Nilo Figueiredo Júnior. Recentemente, a escola de Madureira, que completa noventa anos em abril, teve a luz e a água cortadas devido à inadimplência com a Light e a Cedae. Não é a única encrenca. A agremiação continua na lista do Cadastro de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos Impedidas (Cepim) por irregularidades na prestação de contas referente a patrocínios públicos em 2006 e 2007. Como a desvalorização do produto não é bom negócio para ninguém — patrocinadores, TV e organizadores —, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), promotora do espetáculo, saiu em socorro da Mangueira e providenciou na semana passada um adiantamento de 1 milhão de reais para a escola.

Não é de hoje que Mangueira e Portela exibem na avenida desempenho muito aquém de sua gloriosa história. São as duas maiores vencedoras do Carnaval, com 38 títulos somados, e celeiro de talentos como Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia e Paulinho da Viola. Desde 2000, no entanto, os campeonatos das duas rarearam e apenas em 2002 a Verde e Rosa venceu a disputa. Para o desfile de agora, a escola de samba mais popular do país renovou as esperanças do torcedor ao escolher como enredo a cidade de Cuiabá e acertar um patrocínio de 3,6 milhões de reais com a prefeitura da capital mato-grossense. Mas a penúria financeira permaneceu. Tanto Mangueira quanto Portela ainda atravessam uma turbulência política. Depois de uma batalha judicial, a eleição da primeira está marcada para abril. No mês seguinte será a vez de a rival escolher seu mandatário. Procurado por VEJA RIO, o presidente mangueirense, Ivo Meirelles, candidato à reeleição, não retornou o contato.
Enquanto as duas patinam com a desorganização, a Unidos da Tijuca segue caminho oposto. Seu barracão exibe quatro alegorias já finalizadas. Vencedora de dois dos três últimos desfiles, ela deve gastar em torno de 12 milhões de reais neste Carnaval. Como as verbas fixas cobrem apenas metade do orçamento, a Tijuca usa a criatividade para ampliar suas receitas. Ao longo do ano, faz parcerias e eventos para grandes empresas. Estrondoso sucesso no desfile de 2010, a comissão de frente, que mostrou um efeito de ilusionismo ao trocar de roupa na avenida, já fez mais de 500 apresentações Brasil afora. Em 2012, a escola recebeu a visita de 4 000 turistas estrangeiros. Assim, com dinheiro em caixa, ela consegue comprar material com muita antecedência. Em julho, costureiros e aderecistas começaram a trabalhar no barracão. Em agosto, chegaram os escultores. "Queria entender a mágica de quem faz Carnaval em dois meses", diz o presidente da atual campeã, Fernando Horta. "Estamos lutando com toda a nossa força, sem olhar para o relógio. Espero botar na rua aquilo que imaginei. Hoje, não dá para dizer se isso será possível", reconhece o carnavalesco da Mangueira, Cid Carvalho. Em três semanas, teremos a resposta.


Fonte: Veja Rio