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terça-feira, 30 de junho de 2015

Confira sinopse do enredo da Portela para o Carnaval de 2016

Redação Carnavalesco

Enredo: NO VOO DA ÁGUIA, UMA VIAGEM SEM FIM...

RESUMO

O voo da Águia da Portela, em 2016, nos conduzirá a lugares distantes, uma viagem sem fim que atravessa a história da humanidade. Desde a Antiguidade, as viagens se tornaram uma prática constante pela expansão de fronteiras, por conquistar novos horizontes e fortunas, adquirir conhecimento. Movem mundos e mapas, trilhas e destinos. Inspiram fantasias e trajetórias. Realidade e imaginação se provocam, se misturam em rotas e roteiros fascinantes. Invadem terras e textos. Viajantes em busca de novas paisagens, de aventuras e de riquezas, de planetas ainda inexplorados, talvez inexistentes, descrevem em seus relatos os lugares que desenharam em seus mapas. Eles orientam o mundo através de narrativas que atravessam o tempo e chegam até nós para que possamos saber o que encontraram e como superaram todos os perigos e obstáculos.

Os livros contam histórias reais que nos parecem inacreditáveis e mostram um universo de fantasia que pode ser vivido como realidade. O homem é um ser inquieto. Deseja, busca, vence desafios que encontra em seu caminho e nunca desiste. Inventa e se reinventa para percorrer grandes distâncias, romper fronteiras, ganhar o mundo. É capaz de criar um mundo virtual para navegar e chegar a todos os cantos do planeta sem sair do lugar. Esse desejo de buscar o que não está ao alcance de sua mão faz do homem um viajante que vive uma procura interminável. Avançar, descobrir, ir em frente, continuar. Para viajar, basta existir... A viagem não acaba nunca... O fim de uma viagem é apenas o começo de outra...

O DESFILE

ABERTURA

Nas asas da Águia, estão a força e a coragem para embarcar nessa viagem sem fim. Símbolo de liberdade, de nobreza e de sabedoria, ela é a rainha dos céus. Seu voo é de magia e de beleza, encanto que nos leva à emoção do tempo da mitologia grega, onde homens invencíveis desafiavam deuses. O poema Odisseia, de Homero, é conhecido por ser a obra fundadora das narrativas de viagem. Odisseu, ao voltar da Guerra de Tróia, viaja por 20 anos para retornar a sua casa, na Ilha de Ítaca. Amaldiçoado por Poseidon, o bravo guerreiro enfrenta tormentas e adversidades que, por vingança, a ele lança o deus dos mares. Nos versos finais do poema, Ulisses, como ficou conhecido esse herói entre os romanos, é comparado à águia rasgando as nuvens ao perseguir seus inimigos.

O pássaro também está presente em mais uma viagem marcante, que está descrita na Bíblia: a Travessia do Mar Vermelho em busca da Terra Prometida. Na chegada de Moisés ao Monte Sinai, Deus lhe diz: “Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim...”.

E a Águia também nos conduzirá na viagem da Portela. Ela que “desperta sua ninhada, paira sobre seus filhotes e, em seguida, estende as asas para apanhá-los, carregando-os sobre elas”, nos guiará na Avenida. Segurem o mapa da história e realizem o seu desejo mais vital, a Portela vai voar, é Carnaval!

MAR ADENTRO, MUNDO AFORA

O voo da Águia nos leva aos caminhos de quem atravessou continentes com seus barcos, galeras, caravelas! Seguem, agora, os navegantes de diferentes povos que rasgaram os sete mares desenhando mapas! O vento sopra em suas velas e o céu lhes serve como guia para vencer a escuridão e chegar a terras distantes. Os corajosos comandantes superam o perigo e o desconhecido para nos mostrar a rota mais segura. Se lançam mar adentro, descobrem o mundo afora e deixam para a história o relato de suas viagens. Por mares nunca d’antes navegados, nem mesmo o mais terrível monstro imaginado impede que continuem vencendo águas violentas, a quem entregam o barco e a própria vida.

VIAGENS IMAGINÁRIAS

O sonho de pássaro é livre e surpreendente! Revela lugares fantásticos e misteriosos, de onde surgem viagens eternas e envolventes, frutos da criação humana. São histórias extraordinárias de tirar o fôlego, que nos levam a viajar no tempo, ao fundo do mar ou a uma incrível jornada nas estrelas. Tudo pode acontecer com os personagens desse mundo de sonho e de magia, que prende a atenção e liberta a fantasia.

VIAGENS EXTREMAS

Mas existem aqueles que preferem sentir na própria pele a emoção da aventura. Gostam do prazer de correr riscos, alcançar terras inexploradas. Valentes viajantes levantam a poeira do deserto, enfrentam a selva, entram em florestas sombrias, exploram as geleiras, entregam o corpo a condições hostis para a sobrevivência. E, se nada mais os seduzir, quem sabe não queiram atingir planetas distantes e deixar pegadas em lugares onde ninguém jamais pisou. A viagem mais extrema está na incerteza de regressar ao ponto de partida.

EM BUSCA DE MUNDOS PERDIDOS

Enquanto alguns se aventuram por outras terras, rumo ao futuro, há aqueles que tentam decifrar os sinais deixados pelos que aqui viveram muito tempo atrás. Quem procura por vestígios do passado segue uma interminável trajetória na busca por respostas. Arqueólogos pesquisam restos e ruínas de civilizações encobertas pelo tempo. Paleontólogos encontram seres pré-históricos que impressionam quando pensamos que habitaram a Terra. Atentos, esses cientistas investigam marcas e sinais, desvendam culturas e costumes. E vão mais longe, em seus estudos, para saber quem vivia no planeta antes de nós. Percorrem trilhas e pistas de mundos perdidos que ficaram pelo caminho.

O MAPA DA MINA – EM BUSCA DE RIQUEZAS

E tantas outras trajetórias revelaram tesouros que fizeram muitas fortunas, em nome da ambição e da cobiça. A maciez das sedas, o perfume dos incensos, o gosto das especiarias, delícias pelas quais pagaram reis e rainhas. E o ouro e a prata que adornaram pescoços e altares? Quem trazia? Que mundos exploraram e para onde rumaram em busca de riquezas? As grandes rotas comerciais do passado foram responsáveis pelas trocas de produtos e culturas. Abriram caminhos por terra e por mar. Exploraram tesouros de povos do outro lado do mundo e saciaram desejos de impérios. É preciso percorrer essas rotas para, quem sabe, descobrir o mapa da mina.

EU NÃO SOU DAQUI, EU NÃO SOU DE LÁ

Muitas são as formas de viajar criadas pelo homem, para navegar em todas as dimensões: na realidade, no imaginário, no mundo virtual. E não faltarão roteiros, enredos, lugares, estradas e ferrovias enquanto essa busca durar. Hoje, com um toque apenas, é possível fazer muitas viagens: abrir janelas, percorrer milhares de quilômetros em segundos e descobrir mares, países... se perder. Consultar a história e o poema, assistir ao vídeo e ao espetáculo. Diante dos olhos dos internautas, o virtual vira real, em sons, cores e movimentos. É possível voltar, avançar, procurar... pessoas, coisas e locais. Digitar perguntas, descobrir respostas, encontrar lugares, ser viajante, ser águia: livre, ágil, confiante. E ao final da travessia, escolher mais um destino e recomeçar. E a Portela tão bonita vai voando na Avenida para o carnaval conquistar!

Isabel Azevedo
Simone Martins
Ana Paula Trindade
Paulo Barros




domingo, 28 de junho de 2015

Carnaval de Cabo Frio: Um resgate dos valores culturais e solidários

*entrevistas realizadas por Rachel Waknin, em colaboração voluntária ao SRZD

Visando dar voz a personalidades envolvidas com o Carnaval do interior de nosso estado, nossa equipe realizou um pequeno bate papo com o presidente da Liga dos Blocos de Cabo Frio, Jorge Luiz Moreira Bongo, com a rainha do Carnaval, Nilma de Oliveira, e com o presidente da União das Escolas de Samba de Cabo Frio, Marcos Chaves. Os entrevistados contaram quais os planos para o Carnaval 2016 na cidade, seus objetivos e pretensões, além de colocar sempre em destaque o resgate dos valores culturais do Carnaval e a atuação solidária de seus participantes.

Confira abaixo:

Entrevista com Jorge Luiz Moreira Bongo

Presidente, atualmente, quantos blocos fazem parte do Carnaval cabofriense?
Jorge: Contamos hoje com 52 blocos.

E para o Carnaval 2016, o enredo dos blocos será de tema único ou livre?
Jorge: O enredo é livre em 2016. Estamos buscando a captação de recursos, inclusive, com outras prefeituras, como, por exemplo, algumas de Minas Gerais.

Em conversa com nossa equipe, o senhor nos contou que promove o Carnaval Solidário na cidade. Pode nos contar como funciona?
Jorge: Tenho quatro anos de gestão à frente do Carnaval Solidário, onde os abadás são trocados por alimentos com o intuito de transformar a maneira de como determinada camada da nossa sociedade vê o Carnaval. Ou seja, para muitos, o Carnaval ainda é uma festa profana, ligada à prostituição, drogas etc. Com o projeto Carnaval Solidário, mostramos ao mundo que o Carnaval, além de gerar divisas, empregos e mão de obra qualificada, tem o seu lado solidário, no caso, com foco na distribuição de alimentos, ajudando aos mais necessitados.


Entrevista com Nilma de Oliveira

Primeiramente, como se sente tendo sido a escolhida para ser a representante da cidade de Cabo Frio?
Nilma: Me sinto lisonjeada. É um sonho, ainda mais por eu ser uma rainha "forasteira", já que não nasci em Cabo Frio, e sim em Minas Gerais. Parece que o hino da cidade de Cabo Frio foi feito para mim - "Forasteiro, não há forasteiro, / Pois nesta terra todos são iguais..." É uma honra maior ainda, porque fui escolhida por unanimidade pela Liga, Associação e Secretaria de Turismo para ser a representante dos 400 anos da cidade. Faço tudo isso por amor!

O que o Carnaval é para você?
Nilma: Carnaval é cultura, manifestação popular, não é uma festa profana. É uma festa sem discriminações, todos são iguais. Onde até a pessoa mais humilde pode se tornar um mestre-sala e encantar a todos com seu bailado. Carnaval é coisa séria!

Com base no Carnaval Solidário mencionado pelo presidente da Liga dos Blocos de Cabo Frio, e você, sendo a representante máxima de blocos e escolas de samba, como Nilma de Oliveira atua no campo da Solidariedade?
Nilma: Sou mamãe Noel há 28 anos, ajudo comunidades carentes, tenho um programa de TV na emissora local, onsw reúno crianças necessitadas. Vou inaugurar um Espaço Cultural para ensinar as crianças tudo sobre a arte do Carnaval.


Entrevista com Marcos Chaves:

Presidente quantas agremiações, hoje, fazem parte do Carnaval de Cabo Frio?
Marcos: Hoje temos o total de 11 agremiações, sendo divididas em dois grupos - o grupo de Acesso e o grupo Especial, que desfilam em dois dias da semana após o Carnaval do Rio (sexta e sábado).

E para o Carnaval 2016, o enredo das escolas de samba será de tema único como em 2015 ou livre?
Marcos: Para 2016, os temas serão livres. Em 2015, foram de tema único para que todos pudessem prestar uma homenagem aos 400 anos da cidade de Cabo Frio.

Qual o intuito de se realizar um Carnaval na Cidade de Cabo Frio já que há uma proximidade grande da Cidade com o Rio de Janeiro?
Marcos: O intuito é ratificar Cabo Frio como centro cultural e econômico, a "capital" da Região dos Lagos.

Em conversa com nossa equipe, o senhor menciona que esteve em reunião com o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA), Jorge Castanheira. Sobre o que trataram?
Marcos: Tratamos sobre a possibilidade de fazermos um circuito municipal do Carnaval que ocorreria mensalmente em todas as regiões. Isso proporcionaria um engrandecimento do Carnaval, sem tirar o brilho do Carnaval do Rio de Janeiro, possibilitando um intercâmbio cultural entre os profissionais locais e os do Rio, além de levar um pouco dessa festa popular para todos. Cabo Frio, Macaé e Campos já realizam este circuito promovendo os seus Carnavais em datas distintas das do Rio.

Tenho observado um apelo cultural muito forte quando abordamos o tema Carnaval na Cidade de Cabo Frio. O que tem a nos dizer sobre isso?
Marcos: O capitalismo não é o fator decisivo no nosso Carnaval, e sim a Cultura. Inclusive, temos a rubrica da Secretaria de Cultura para realizá-lo. Fazemos esse evento por amor a ele, e para resgatar sua pureza e simplicidade. Interagimos o ano todo na comunidade, porque a comunidade somos nós. É um evento que atrai turismo para a cidade, de forma cultural e não apenas econômica.


sábado, 27 de junho de 2015

Portela 2016: sinopse será entregue nesta terça na Portelinha

Por GRES Portela

Por conta da pintura que vem sendo feita no piso da quadra da Portela, a sede social da Velha Guarda, a Portelinha, foi o local escolhido para a apresentação, na próxima terça-feira, dia 30, às 20h, da sinopse do enredo da Portela para o próximo Carnaval. Será o primeiro contato do carnavalesco Paulo Barros, estreante na azul e branco, com os compositores da ala, que é considerada uma das mais bem-sucedidas do Carnaval. Barros ficou satisfeito com a reação de portelenses que já tiveram acesso ao texto.

- A minha grande alegria foi ter conseguido, junto com as meninas da Casa da Ciência, produzir uma sinopse que se enquadrou perfeitamente aos moldes e ao espírito da Portela. Foi isso exatamente que ouvi de alguns da direção da escola. Com a divulgação da sinopse para a ala dos compositores, tem início o nosso 'voo'. E estou na expectativa de um belo samba, como a escola vem apresentando nos últimos anos – comemora o carnavalesco.

Portelense de berço, Jeronymo Portela, que hoje integra a comissão de harmonia, também fala com entusiasmo sobre o texto que chegará às mãos dos compositores.

- Quem me conhece sabe que costumo ser até meio seco com essas coisas. Mas fiquei emocionado com o texto. Emocionado mesmo. A sinopse está linda, limpa e muito bem redigida. Desde que chegou, o Paulo está mostrando muito respeito com a Portela. Ele está chegando com um rótulo de positividade muito grande. Tenho certeza que ele vai ter êxito. Ele merece e a Portela também. Temos que trabalhar muito para um grande desfile, e essa sinopse é mais um grande incentivo pra todos nós, da equipe e dos segmentos.

O título do enredo é “No voo da águia, uma viagem sem fim...”. A Portela será a quarta escola a desfilar na Segunda-Feira de Carnaval. A Portelinha fica na Estrada do Portela, 446, em Oswaldo Cruz. 


Alunos de universidade britânica vão criar figurino para Danielle Nascimento

Por GRES Portela

Primeira porta-bandeira da Portela, Danielle Nascimento acaba de desembarcar no Rio depois de uma semana em território inglês. E chegou trazendo novidades. Ela e o marido, o empresário Claudio Falavinha, estiveram em Birmingham - segunda maior e mais importante cidade do Reino Unido, atrás apenas da capital Londres - a convite da Birmingham City Univercity, que tem mais de 22 mil alunos de 80 países. O casal foi à Inglaterra para mostrar um pouco da cultura do samba e da importância histórica da Portela.
- Uma comitiva da universidade esteve na quadra há dois anos. Alguns voltaram a nos visitar ano passado para conhecer a estrutura da escola. Gabriel Ceballos, representante da universidade, então, se reuniu com o Falcon (Marcos, vice-presidente) a quem definiu como um gestor de postura marcante e diferenciada. Na reunião, foi feito o convite para que a escola retribuísse a visita, e nossa ida foi sugerida pelo Falcon – explica a porta-bandeira portelense.
Falavinha, que é fluente em inglês, e Danielle estiveram na Birmingham City Univercity por quatro dias, dando palestras para a diretoria da instituição e para o corpo docente. Ela também apresentou a arte da dança de porta-bandeira para centenas de estudantes, inclusive alguns brasileiros. Ficou acertado que alunos da cadeira de moda vão criar figurinos para que Danielle se apresente na quadra da Portela e a direção da universidade estuda, ainda, a possibilidade de promover um concurso que escolherá um figurino especial para que a porta-bandeira vista em uma noite de gala na quadra da agremiação.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Em debate na UERJ, pesquisadores demonstram preocupação com bases das escolas de samba

Por Guilherme Ayupp

A última mesa de debates do seminário "Sonhar Não Custa Nada ou Quase Nada? Horizontes do Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro" trouxe o tema "Fazendo Sonhos, Tecendo Mundos Artísticos", que debateu diálogos existentes entre o carnaval das escolas de samba e outros domínios artísticos. A intenção foi contextualizar as mudanças pelas quais vêm passando os desfiles e as escolas de samba. Estiveram na mesa de debate o mediador, Luiz Anselmo Bezerra, doutorando em História Social e Mestre em História Contemporânea pela UFF, e os debatedores, André Porfiro, professor do Instituto Superior de Educação do Estado do Rio de Janeiro, Jair Miranda, um dos idealizadores do Portal do Carnaval e Luiz Antonio Simas, historiador, professor e escritor.

'As escolas de samba estão deixando secar a raiz', ataca Simas

Para o historiador Luiz Antonio Simas, o carnaval vem tomando um rumo preocupante no tocante à preservação de suas origens. - O samba é como uma árvore, e a raiz precisa ser regada, senão seca e morre. Vejo com extrema preocupação a não valorização das matrizes fundamentais das escolas de samba e um exacerbado foco nos resultados - disparou.

Simas está preparando um livro, baseado em uma pesquisa realizada com Nei Lopes, chamado "Dicionário da História Social do Samba". - Até os anos 20 e 30 nenhuma escola de samba teve seu processo de fundação dissociado da chamada diáspora africana, com as matrizes da macumba carioca. É absolutamente impossível separar uma coisa da outra. Prova disso são os toques para alguns orixás das principais baterias, como Portela, Salgueiro e Mocidade - explicou Simas.

'O samba é maior que o carnaval', destaca Jair

Em sua fala o professor Jair Miranda deu um importante esclarecimento na relação entre samba e carnaval. - O carnaval é mais antigo, antes do samba havia o entrudo e outras formas de manifestação. O surgimento do samba tem 100 anos e a partir dele se desenvolveu o desfile das escolas, mas existiam e ainda existem outras formas de manifestação carnavalesca no mundo todo - salientou.

Jair Miranda desenvolveu um trabalho em que demonstra as diferentes manifestações do samba e do carnaval ao redor do mundo. - No Japão participei de uma roda de samba em um lugar chamado Praça XI e havia uma imagem de São Jorge no centro da mesa. Japoneses cultuando Ogum, não há nada mais globalizado que isso - avalia um dos idealizadores do Portal do Carnaval.

André Porfiro contou um curioso caso em que o processo colaborativo, onde as pessoas podem interferir no projeto do carnaval, foi decisivo no carnaval de 1993 da Beija-Flor de Nilópolis. - Havia uma fantasia de um pião, e ela seria colorida, como um arco-íris. Depois da escolha do samba, que tinha um refrão marcante ("Gira meu mundo pião, de listras brancas e azuis"), Maria Augusta decidiu mudar o protótipo - lembrou.


Carnaval de Niterói volta a ter desfiles no sábado

Redação SRZD

O Carnaval de 2016 vai ganhar mais um dia de desfiles oficiais. É o que prevê o plano de trabalho da União das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Niterói (Uesbcn). Em 2015, o sábado foi reservado apenas à conclusão da montagem das arquibancadas e iluminação para a apresentação dos sambistas, mas a ideia é retomar a data para uma melhor distribuição das agremiações do Grupo Especial de Enredo, que tem onze desfilantes.

O plano é dividir esse grupo em dois para que a festa não fique tão extensa ao público, equipe de organizadores e não termine no fim da madrugada, como aconteceu em 2015. A diretoria-executiva da Uesbcn também pretende iniciar os desfiles de sábado em um horário que não atrapalhe o funcionamento do comércio.

O plano pré-alinhavado, além das agremiações do Grupo Especial de Enredo, nessa data e no domingo, terá também as escolas de samba do Grupo de Acesso, na segunda-feira, e do Grupo Principal, na terça-feira.

A Uesbcn tem 32 agremiações filiadas. Dois locais do centro de Niterói estão em estudos para a realização dos desfiles: a Rua da Conceição, onde a festa acontece há dez anos, e a Avenida Amaral Peixoto, palco do apogeu do Carnaval na cidade, nas décadas de 70 e 80. O retorno ao segundo corredor viário, que tem dimensões bem maiores que o antigo local, dependerá das condições de infraestrutura oferecida pelos parceiros da Uesbcn.

Novo local para os barracões ainda está sendo acertado

Os dirigentes da Uesbcn aguardam para os próximos dias, a definição do local onde deverá funcionar o novo barracão que servirá como ponto de preparação para a montagem das alegorias. Já ficou decidido que o local ganhará o nome do ex-vereador Carlos Magaldi, assassinado há quatro meses durante uma tentativa de assalto em Piratininga, e um dos idealizadores da revitalização do Carnaval na cidade, a partir de 2006.

Em reunião realizada no mês passado com os sambistas em seu gabinete, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PT), informou que pretendia inaugurar o espaço até o fim deste mês. Além do apoio da empresa municipal Niterói, Lazer e Turismo (Neltur), a Uesbcn, vencedora do chamamento público para a organização dos desfiles em Niterói, ganhou também a parceria da Fundação de Artes de Niterói (Fan).

Os dirigentes da União iniciaram entendimentos no início do mês para costurar formas de viabilizar, através da Fan, articulações junto ao Governo Federal, para a captação de recursos, para projeto de criação de oficinas e cursos voltados para a produção de fantasias, alegorias, entre outras áreas do Carnaval.

A Uesbcn está inscrita na Lei Rouanet, mantida pelo Ministério da Cultura e baseada em redução de impostos a empresas estatais e privadas que apoiem eventos nessa área. Essa seria a alternativa para ajudar o poder público municipal a custear o espetáculo.


Carnaval da Intendente domina debate sobre escolas de samba na UERJ

Por Guilherme Ayupp

Aconteceu nesta quinta na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) o segundo dia do ciclo de debates 'Sonhar Não Custa Nada ou Quase Nada? Horizontes do Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro'. A primeira mesa teve como tema "Reflexões sobre o Espetáculo e os Sonhos". Integraram o debate o mediador, Milton Cunha, além de Edson Farias, pesquisador do CNPq, Felipe Ferreira, coordenador do Centro de Referência do Carnaval e Nilton santos, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). A proposta do encontro foi debater e escutar diferentes vozes da academia sobre o status de espetáculo popular ostentado pelo Desfile das Escolas de Samba, em suas implicações estéticas, econômicas e sociopolíticas.

Entretanto, o rumo da conversa seguiu para Zona Norte, ficando bem longe do Sambódromo, e desembarcou na Estrada Intendente Magalhães, em virtude da crise que atravessam as agremiações dos grupos de acesso. O mediador do encontro, Milton Cunha, diretor cultural do "Samba é Nosso", entidade que pleiteia a organização dos grupos de acesso, enfatizou que o debate é importante e só tende a fazer bem ao carnaval. - Estou emprestando meu conhecimento adquirido nesses anos de experiência a essa entidade, pois acredito nela. É muito importante a gente trazer essas escolas para o centro do debate. Elas são a base fundamental do carnaval - contou Milton, que garantiu um debate apenas com esse tema em um futuro próximo.

O pesquisador Felipe Ferreira, concordou com Milton e pediu maior organização em uma eventual Liga que coordene a folia longe das fronteiras do Sambódromo. - A cada ano desfilam em um dia, não existe uma regra bem definida. A organização também passa pelas próprias escolas - opinou.

Nilton Santos: 'Os carnavalescos representam a ponte entre o erudito e o popular'

O professor Nilton Santos enfatizou em seu depoimento que os carnavalescos trouxeram para os desfiles um ar acadêmico que eles não tinham. - Foi a partir dos anos 60, quando Pamplona introduziu toda a turma da Escola Nacional de Belas artes e os enredos passaram a ser muito mais bem elaborados e o espetáculo se tornou visualmente mais atraente - explicou.

Nilton disse também que o lado nem tão positivo desta grandiosidade foi o fato de que algumas tradições serem esquecidas. - A competição passou a gritar dentro das agremiações, quando escolas não tão tradicionais à época passaram a vencer. E até hoje esse duelo luxo x tradição faz parte dos desfiles, principalmente no Grupo Especial - finalizou.

Felipe Ferreira: 'Falta pensar mais no componente'

Em sua explanação, Felipe Ferreira fez um importante alerta, principalmente às grandes escolas de samba. - Sabemos da importância de se pensar a profissionalização, de dar estrutura, tudo isso eu concordo, mas e o componente? O cara que está ali cantando e brincando, nós não vamos pensar nele? - questionou.

Felipe ponderou que nem sempre as alas comerciais são vilãs da harmonia em um desfile de escola de samba. - Às vezes essas alas são compostas por pessoas que não têm condições, nem disponibilidade de comparecer a todos os ensaios, mas que quando podem frequentam a escola. Criou-se um mito negativo sobre essas alas que não considero justo. Existem grupos de pessoas que saem sempre na mesma ala, promovem encontros, churrascos - disse.

Milton Cunha: 'O Rio não vende o samba como poderia'

De acordo com o carnavalesco e hoje comentarista de TV, Milton Cunha, o grande problema do mundo do samba hoje é uma certa timidez em anunciar o seu produto. - Você vai a Buenos Aires e são 30 show de tango, você na Brodway e são diversos de sapateado. E aqui no Rio, a terra do samba, não temos quase nada com o samba como protagonista. Só no período do carnaval - afirmou Milton.

O pesquisador Edson Farias jogou luz ao debate, questionando o público que acompanha os desfiles e o modelo de transmissão. - O cara que gosta de carnaval não está na arquibancada pois não tem dinheiro e vendo pela TV não se tem a exata percepção do que está acontecendo, pois o modelo de transmissão é equivocado. Tudo isso enfraquece o produto a meu ver - declarou.